Rascunho:Batalha de Badr
A Batalha de Badr (em árabe: غزوة بدر) foi o primeiro confronto militar do Profeta Muhammad (s.a.a.s.) contra os idólatras de Quraish, ocorrido em 17 de Ramadã do ano 2 da Hegira (624 d.C.) na região de Badr. O Profeta (s.a.a.s.) partiu com 313 homens com a intenção de apreender os bens da caravana comercial de Quraish, e Quraish apresentou-se para o combate com um exército de aproximadamente 900 a 1000 homens. Apesar da inferioridade numérica, os muçulmanos saíram vitoriosos graças à fé, à organização e ao auxílio divino. Nesta guerra, 14 muçulmanos foram martirizados e mais de 70 idólatras foram mortos. Os despojos de guerra incluíram 150 camelos e 10 cavalos, que foram distribuídos entre os muçulmanos. Além disso, 74 prisioneiros foram capturados, dos quais alguns foram libertados mediante o pagamento de resgate (fidiah), outros por ensinarem a alfabetização e outros em razão da pobreza.
Após a batalha, o Profeta (s.a.a.s.) lançou os mortos dos idólatras em um poço e dirigiu-se a eles. Esse acontecimento é apresentado no Islã como prova do samaa al-mawta (a capacidade de audição dos mortos após a morte).
Importância
A Batalha de Badr é uma das batalhas mais importantes e decisivas da história do Islã, ocorrida em 17 de Ramadã — e, segundo outra narrativa, em 19 de Ramadã — do ano 2 da Hégira, sob o comando do Profeta Muhammad (s.a.a.s.), na região de Badr. [1] Nesta batalha, os muçulmanos, apesar de estarem em menor número, venceram Quraish. Esta vitória gerou autoridade e autoconfiança nos muçulmanos e consolidou o território do Islã. [2] Os comentadores do Alcorão consideram diversos versículos relacionados a esta guerra, tais como o versículo 123 da sura Al Imran (3:123) e os versículos 17 e 41 da sura al-Anfal (8:17 e 8:41). [3] Segundo Makarem Shirazi, no Alcorão a Batalha de Badr é mencionada como Yawm al-Furqan (O Dia do Discernimento entre a Verdade e a Falsidade). [4]
Com base nas tradições, três mil anjos vieram em auxílio dos muçulmanos. [5] Os participantes desta guerra, que ficaram conhecidos como Badriyyun (os veteranos de Badr), [6] alcançaram uma posição especial entre os muçulmanos, e a sua presença ou testemunho em eventos posteriores era considerado um privilégio especial. [7]
Causa da Guerra
Segundo o relato do livro Forugh-e Abadiyyat, em 15 de Jumada al-Awwal do ano 2 H. (623 d.C.), o Profeta Muhammad (s.a.a.s.) tomou conhecimento do deslocamento da caravana comercial de Quraish, liderada por Abu Sufian, de Meca em direção à Síria, e a perseguiu até a região de Zat al-Ashirah, mas não a alcançou. [8] Segundo o Aiatolá Subhani, como Quraish havia confiscado os bens dos muçulmanos emigrados, o Profeta (s.a.a.s.) ordenou que saíssem de Medina para tomar os bens de Quraish. [9] Alguns historiadores relatam que o Profeta (s.a.a.s.) enviou inicialmente Talha ibn Ubaidullah e Sayyid ibn Zaid para recolher informações sobre a rota, o número de guardas e o tipo de mercadorias da caravana. [10] O valor das mercadorias foi estimado em cerca de cinquenta mil dinares, transportados por mil camelos. [11] Segundo Waqidi, historiador dos séculos II e III H. (séculos VIII e IX d.C.), quase todos os habitantes de Meca haviam investido nessa caravana. [12]
A tentativa de Abu Sufyan para salvar a caravana de Quraish
Segundo Subhani, após o estabelecimento do Profeta Muhammad (s.a.a.s.) na região de Zafiran, Abu Sufian tomou conhecimento dos planos do exército do Islã e enviou Damdam ibn Amr a Meca para mobilizar Quraish no resgate da caravana. [13] Segundo Muhammad Ibrahim Ayati, quase todos os guerreiros de Quraish, com exceção de Abu Lahab, prepararam-se para a batalha. [14] Abu Lahab contratou um homem chamado As ibn Hisham por quatro mil dirhams para lutar em seu lugar. [15] Com base no relato da História de Tabari (escrita em 303 H. / 915 d.C.), o número de tropas de Quraish estava entre 900 e 1000 homens. [16]
Nomeação de substitutos
Segundo o relato de alguns historiadores, o Profeta Muhammad (s.a.a.s.), ao sair de Medina para a batalha, nomeou Abdullah ibn Umm Maktum como seu substituto para a condução das orações e Abu Lubaba como substituto nos assuntos políticos. [17] Além disso, designou Asim ibn Adi como responsável pela região de Quba e pela parte alta de Medina. [18] O Profeta (s.a.a.s.) saiu de Medina com cerca de 305 [19] ou 313 homens. [20] É dito que no caminho parou na região de Buqa e fez retornar a Medina os jovens de pouca idade que haviam vindo para combater. [21] Nesse trajeto, o Profeta (s.a.a.s.) amaldiçoou os infiéis de Quraish, incluindo Abu Jahl. [22] Da mesma forma, dois homens chamados Khubaib ibn Iassaf e Qais ibn Muharrith, que haviam se juntado ao exército apenas para obter despojos e sem fé no Islã, foram proibidos de participar da guerra. [23]
Formação do conselho militar
Segundo Rassul Jafarian, na Batalha de Badr, a maioria dos companheiros do Profeta Muhammad (s.a.a.s.) era composta pelos Ansar, que haviam firmado com ele um pacto defensivo em Medina; contudo, esse pacto não incluía guerras fora do território de Medina. Por essa razão, o Profeta (s.a.a.s.) viu-se obrigado a formar um conselho militar para obter a opinião geral, especialmente dos Ansar, e resolver a questão. [24] Ibn Saad, historiador dos séculos II e III H. (séculos VIII e IX d.C.), escreveu que alguns dos companheiros, como Miqdad, preferiram continuar o caminho, perseguir a caravana e combater os inimigos, enquanto Saad ibn Muaz, representando os Ansar, declarou que a obediência absoluta ao Profeta (s.a.a.s.) e a dedicação da própria vida à sua causa eram o dever de todos. [25] O Profeta (s.a.a.s.), após ouvir as palavras de Saad, ordenou imediatamente a marcha. [26]
Ainda com base em uma tradição transmitida pelo Sheikh Hurr al-Amili, o Profeta (s.a.a.s.) previu que o exército do Islã enfrentaria a caravana de Quraish ou as suas tropas de reforço, e chegou a determinar previamente o local onde os inimigos seriam mortos. [27] Por sugestão de Hubab ibn al-Munzir, o exército do Islã escolheu para a batalha o poço mais próximo das posições do inimigo. [28]
Métodos de obtenção de informações
Na Batalha de Badr, o Profeta (s.a.a.s.) obteve notícias sobre o exército inimigo por meio de diversos métodos, incluindo investigações discretas (sob anonimato) junto a Sufian Damri, [29] recolha de informações de pessoas que vinham buscar água no poço de Badr [30] e o interrogatório de prisioneiros de Quraish. [31] Ao analisar a presença das lideranças de Quraish, declarou: "Meca lançou para vós os seus próprios pedaços do coração." [32]
A fuga da caravana comercial e a chegada do exército inimigo a Badr
Na Batalha de Badr, Abu Sufian, ao tomar conhecimento da posição dos muçulmanos, alterou o seu trajeto, regressou a Meca e apelou aos coraixitas para que também recuassem. [33] Embora alguns tenham retornado, [34] Abu Jahl insistiu na guerra, e o exército de Quraish estabeleceu-se em Badr. [35] Segundo o relato de Waqidi, os coraixitas, apesar de estarem em maior número, encontraram os muçulmanos unidos e determinados. [36] De acordo com o Allama Majlissi, o Profeta (s.a.a.s.), ao ver o exército inimigo, rogou o auxílio de Deus. [37]
Disposição do exército e escolha do lema
O Profeta Muhammad (s.a.a.s.) dispôs as fileiras dos muçulmanos na Batalha de Badr de modo a manter o sol às suas costas, deixando os idólatras voltados de frente para o sol. [38] Ele entregou diferentes estandartes aos chefes das tribos: o estandarte principal ficou sob a sua própria responsabilidade, o estandarte dos Muhajirun foi entregue a Musaab ibn Umair, o estandarte dos khazrajitas a Habab ibn al-Munzir e o estandarte dos aussitas a Saad ibn Muaz. [39] Para cada grupo, determinou também um lema de guerra. [40] Para que os seus combatentes se reconhecessem no campo de batalha, ordenou que cada pessoa usasse uma marca distintiva. [41]
Al-Kulaini, segundo a narração do Imam al-Sadiq (a.s.), menciona que o lema dos muçulmanos na Batalha de Badr foi: "Ya Nasr Allah Iqtarib Iqtarib" (Ó vitória de Deus, aproxima-te, aproxima-te). [42] Também foi relatado que o lema do Mensageiro de Deus (s.a.a.s.) na Batalha de Badr era: "Ya Mansur Amit" (Ó vitorioso, concede a morte ao inimigo). [43] Segundo Ibn Hisham, biógrafo do século III H. (século IX d.C.), o lema dos companheiros do Mensageiro de Deus (s.a.a.s.) nessa guerra era: "Ahad Ahad" (Único, Único). [44]
Sermão do Profeta (s.a.a.s.)
Às vésperas da Batalha de Badr, o Profeta Muhammad (s.a.a.s.) proferiu um sermão incentivando os companheiros ao combate e anunciando-lhes a recompensa divina. [45] Emitiu também ordens de proteção para certas pessoas, entre as quais Abu al-Bakhtari, Abbas e outros membros de Banu Hashim; [46] isto porque Abu al-Bakhtari havia apoiado os muçulmanos em Meca, e a maioria dos membros de Banu Hashim fora forçada a sair de Meca contra a sua vontade, mantendo afeição ao Islã. [47] Além disso, para reforçar a motivação dos combatentes, prometeu recompensas por matar ou aprisionar inimigos. [48]
Combate singular
Nas imediações do combate em Badr, o Profeta Muhammad (s.a.a.s.) enviou uma mensagem conciliadora a Quraish, buscando evitar o confronto. [49] Alguns, como Hakim ibn Hizam, desejaram o retorno; porém, Abu Jahl, incitando rivalidades tribais e enviando Amir Hadrami para o combate singular, provocou o início da guerra. [50] Segundo a tradição de guerra dos árabes, a batalha começou com combates individuais nos quais três líderes de Quraish (Utba, Shaiba e Walid) vieram ao centro do campo e desafiaram adversários. [51] O Profeta (s.a.a.s.) enviou inicialmente três jovens dos Ansar para combatê-los; mas os coraixitas recusaram o confronto por alegada falta de equivalência de linhagem. [52] O Profeta (s.a.a.s.) enviou então Ali (a.s.), Hamza ibn Abd al-Muttalib e Ubaida. [53] Nesse combate, Hamza matou Shaiba, Ali (a.s.) abateu Walid e Ubaida, com o auxílio de ambos, venceu Utba. [54] Subhani, pesquisador da história xiita, fundamentando-se na Carta 64 do Nahj al-Balaga, sustenta que o oponente de Hamza foi Shaiba, enquanto o oponente de Ubaida foi Utba; Hamza e Ali (a.s.), após matarem os seus adversários, dirigiram-se a Utba e abateram-no com a espada. [55]
Ofensiva geral
Com a morte dos líderes de Quraish nos combates singulares, iniciou-se a ofensiva geral. [56] Segundo o relato de alguns historiadores, embora a sua tenda de comando estivesse situada em uma elevação, [57] o Profeta Muhammad (s.a.a.s.) esteve presente na linha de frente, e os seus companheiros buscavam proteção junto dele no auge do combate. [58] Alguns historiadores muçulmanos registraram que, após a espada de Salama ibn Aslam ter-se quebrado, o Profeta (s.a.a.s.) entregou-lhe o seu bastão de madeira, que milagrosamente se transformou em uma espada. [59]
O Profeta (s.a.a.s.) lançou um punhado de terra na direção dos idólatras e, por meio de sua súplica, Deus infundiu o temor no coração do inimigo, forçando-o à fuga. [60] Essa vitória consumou-se em menos de metade de um dia [61] e, conforme os registros históricos, foi resultado do valor e da firmeza dos muçulmanos, da súplica do Profeta (s.a.a.s.) [62] e do auxílio divino. [63]
Eventos após a guerra
Segundo alguns historiadores, após a derrota dos idólatras na Batalha de Badr, um grupo de muçulmanos, como Saad ibn Muaz, permaneceu ao lado do Profeta (s.a.a.s.) para a sua proteção. Outro grupo dedicou-se à recolha dos despojos, e um terceiro grupo partiu no encalço do inimigo, fazendo prisioneiros. [64] O Imam Ali (a.s.) tomou para si a armadura, o elmo e o escudo de Walid ibn Utba, Hamza recolheu as armas de Utba e Ubaida ibn al-Harith tomou a armadura de Shaiba. [65]
Divisão dos despojos
Conforme os relatos históricos, o Profeta Muhammad (s.a.a.s.), após a Batalha de Badr, pagou primeiramente as quotas pré-determinadas a certas pessoas e reuniu o restante dos despojos — que incluíam mais de 150 camelos, 10 cavalos e quantidade considerável de couros, tecidos e equipamentos de guerra [66] — sob a supervisão de Abdullah ibn Kaab ou Khabbab ibn al-Aratt. [67] Nesse processo, surgiram divergências sobre a partilha entre os combatentes da linha de frente e a retaguarda, [68] as quais, segundo os historiadores, foram resolvidas com a revelação de versículos do Alcorão. [69]
A divisão final foi realizada por meio de sorteio, [70] no qual foi atribuída aos cavaleiros uma cota dupla (duas partes para o cavalo e uma para o cavaleiro). [71] O Profeta (s.a.a.s.) escolheu a espada Zulfiqar como cota de comando [72] e reservou parcelas para casos específicos, tais como ausentes com justificativa válida, [73] famílias de mártires [74] e alguns escravos que participaram da batalha. [75] Além disso, nessa batalha, o camelo de Abu Jahl coube ao Profeta (s.a.a.s.) como parte dos despojos [76] e não se aplicou a alíquota legal de um quinto (20%), conhecida como khums. [77]
Um dos episódios associados a esta batalha foi o desaparecimento não autorizado de uma peça de tecido de cor vermelha integrante dos despojos, evento que motivou a revelação do versículo 161 da Sura Al Imran (3:161), isentando o Profeta (s.a.a.s.) de qualquer acusação indevida. [78]
Proibição da execução de prisioneiros e cobrança de resgate
No dia de Badr, Shuqran, liberto do Profeta (s.a.a.s.), foi encarregado da guarda dos prisioneiros. [79] O Profeta (s.a.a.s.) proibiu a execução dos prisioneiros [80] e a sua mutilação. [81] Apesar disso, relata-se que ordenou a execução de Nadr ibn al-Harith e Uqba ibn Abi Muait. [82] Segundo Jaafar Subhani, pesquisador da história do Islã, esses dois indivíduos, por serem idealizadores de conspirações anti-islâmicas, poderiam agir novamente contra os muçulmanos caso fossem libertados. [83]
Conforme o relato do Allama Majlissi, na Batalha de Badr o anjo Jibril (Gabriel) deu ao Profeta (s.a.a.s.) a escolha entre executar os prisioneiros ou aceitar o resgate (fidiah); o Profeta (s.a.a.s.), após consultar seus companheiros e atender ao pedido deles, optou pelo resgate. [84] O Profeta (s.a.a.s.) distribuiu os prisioneiros entre os companheiros por meio de sorteio [85] e recomendou que fossem tratados com benevolência. [86] Os Ansar reservavam o pão aos prisioneiros enquanto eles próprios se alimentavam de tâmaras; além disso, cediam-lhes as montarias enquanto caminhavam a pé." [87]
Conforme Muhammad Hadi Iussufi Garawi, historiador do Islã, o valor do resgate dos prisioneiros variou entre mil e quatro mil dirhams. [88] Um grupo desprovido de recursos foi libertado pelo Profeta (s.a.a.s.) sem a cobrança de resgate. [89] Segundo Ibn Saad, historiador do século III H. / IX d.C., os prisioneiros sem recursos financeiros que fossem alfabetizados podiam obter a liberdade ensinando a leitura e a escrita a dez pessoas. [90] O Profeta (s.a.a.s.) trocou Amr ibn Abi Sufian por Saad ibn Numan, que havia sido aprisionado por Quraish durante a peregrinação. [91]
Atendimento às súplicas e milagres do Profeta (s.a.a.s.)
Segundo Ibn Saad, o Profeta (s.a.a.s.), ao marchar para o combate, suplicou pelos que iam a pé, pelos desprovidos de vestes, pelos famintos e pelos necessitados. O efeito dessa súplica foi tal que, no retorno da batalha, todos os muçulmanos regressaram montados em animais, os desprovidos de vestes foram vestidos, os famintos foram saciados e os seus pobres enriqueceram com o resgate dos prisioneiros. [92] Relata-se também que, a caminho de Badr, o camelo de um dos soldados empacou; o Profeta (s.a.a.s.) aspergiu sobre o corpo do animal a água da sua ablução (wudu) e o camelo voltou a marchar. [93]
Número de mártires muçulmanos e de mortos de Quraish
Na Batalha de Badr, 14 muçulmanos foram martirizados, dos quais 6 eram Muhajirun e 8 eram Ansar. [94] Além disso, 70 ou mais idólatras foram mortos e 74 foram feitos prisioneiros. Em outro relato, o número de prisioneiros é mencionado como 70 ou 49. [95] Segundo Ibn Saad na sua obra al-Tabaqat, entre as lideranças de Quraish mortas na Batalha de Badr figuram Shaiba, Utba, Walid ibn Utba, Abu Jahl, Nawfal ibn Khuwailid, As ibn Said, Abu al-Bakhtari, Hanzala ibn Abi Sufian, Umayya ibn Khalaf e Munabbih ibn Hajjaj. [96] Sayyid Jaafar Murtada al-Amili, historiador xiita (falecido em 1441 H. / 2019 d.C.), fundamentando-se em diversas fontes, escreve que a maioria dos mortos da Batalha de Badr caiu pelas mãos do Imam 'Ali (a.s.). [97]
Oração fúnebre e sepultamento dos mártires
O historiador al-Waqidi escreve que o Profeta Muhammad (s.a.a.s.) realizou a oração fúnebre sobre os mártires de Badr e sepultou-os na própria localidade de Badr. [98] Alguns feridos faleceram no caminho de regresso a Medina devido à gravidade dos ferimentos e foram sepultados nesses mesmos locais. [99] Outros feriram-se em Badr, vieram a falecer em Medina e nela foram sepultados. [100] O Profeta (s.a.a.s.) realizou a oração da Asr em Badr e, antes do pôr do sol, partiu do deserto de Badr em direção a Medina até atingir a região de Ussail; [101] segundo outro relato, realizou a oração da Asr já em Ussail. [102]
As palavras do Profeta dirigidas aos mortos dos idólatras em Badr
Artigo principal: Ashab al-Qalib
Após a Batalha de Badr, por ordem do Profeta (s.a.a.s.), os corpos dos idólatras foram lançados em um poço, [103] razão pela qual ficaram conhecidos como Ashab al-Qalib (os companheiros do poço). O Profeta (s.a.a.s.), dirigindo-se aos mortos, censurou-os por haverem desmentido a sua missão divina e por terem expulsado o seu Profeta de Meca. [104] Além disso, em resposta a Umar ibn al-Khattab — que considerava aquelas pessoas mortos incapazes de ouvir —, o Profeta (s.a.a.s.) afirmou que eles eram capazes de ouvir, embora lhes faltasse a capacidade de responder. [105] Esse evento é considerado uma prova do samaa al-mawta (a capacidade de audição dos mortos) e da possibilidade de comunicação com as almas. [106]
A Batalha de Badr na poesia de Sayid al-Himyari
Sayid Ismail al-Himyari, poeta xiita (falecido em 179 H. / 795 d.C.), descreveu a presença dos anjos divinos na Batalha de Badr nos seguintes versos:
مِيْكَالُ فِي أَلْفٍ وَ جِبْرِيلُ فِي
أَلْفٍ وَ يَتْلُوهُمْ سَرَافِيلُ
لَيْلَةَ بَدْرٍ مَدَداً أُنْزِلُوا
كَأَنَّهُمْ طَيْرٌ أَبَابِيلُ
Tradução: Na noite de Badr, Mikail, Jibril e Israfil desceram como reforço, cada um acompanhado por mil anjos, semelhantes aos próprios pássaros Ababil que apedrejaram Abraha e o seu exército. [107]