Rascunho:Hadith Ashabi ka al-Nujum
Hadith Ashabi ka al-Nujum (em árabe: حدیث أَصحابی كالنُّجوم; Meus Companheiros são como as Estrelas), também conhecido como Hadith Iqtida wa Ihtida (em árabe: حدیث الاقتداء والاهتداء; Imitação e Orientação), é uma narração atribuída ao Profeta Muhammad (s.a.a.s.).
Estudiosos sunitas costumam citá-lo como evidência da necessidade de obediência incondicional a todos os Companheiros do Profeta Muhammad (s.a.a.s.) e como prova de sua retidão e justiça coletiva. No entanto, estudiosos xiitas e alguns estudiosos sunitas consideram esta narração fraca e fabricada. Segundo a perspectiva xiita, aceitar esta narração como autêntica implicaria na infalibilidade de todos os Companheiros, o que não é aceitável devido às divergências fundamentais entre eles. Além disso, esta narração não é compatível com versículos do Alcorão e outros hadiths que criticam as ações de alguns Companheiros. Vários estudiosos xiitas e sunitas escreveram obras criticando esta narração.
Segundo os estudiosos xiitas, caso a narração fosse autêntica, sua validade seria restrita apenas a alguns Companheiros que não se desviaram do caminho do Profeta após sua morte. Existem duas versões desta narração em fontes xiitas, nas quais os Ahl al-Bayt (a.s.) são apresentados como os Companheiros que são fonte de orientação.
Um documento para comprovar a justiça dos Companheiros
O Hadith Ashabi ka al-Nujum ou Hadith Iqtida wa Ihtida é uma narração do Profeta Muhammad (s.a.a.s.) que indica a posição dos Companheiros na orientação das pessoas.[1] O primeiro transmissor desta narração nas fontes sunitas é considerado Ibn Humayd[2] (falecido 290 H / ≈ 903 d.C.).[3]
Foi dito que esta narração serviu de base para algumas crenças sunitas, como: a validade da obediência incondicional aos Companheiros,[4] a autoridade e exemplaridade de todos os Companheiros,[5] a pureza de todos os Companheiros,[6] a virtude de todos os Companheiros,[7] a superioridade dos Companheiros sobre o resto das pessoas,[8] e a justiça de todos os Companheiros.[9] No entanto, alguns estudiosos afirmam que o objetivo da narração é a validade de seguir os Companheiros em suas transmissões, não em decisões jurídicas (fatwas).[10]
Perspectiva dos estudiosos xiitas
Os estudiosos xiitas consideram esta narração fabricada devido à fraqueza de sua cadeia de transmissão, à incompatibilidade com a história e com provas racionais e textuais.[11] Segundo eles, mesmo se o hadith fosse autêntico, seus destinatários não poderiam ser todos os Companheiros, mas apenas indivíduos específicos: Imam Ali (a.s.), Imam Hasan (a.s.) e Imam Hussain (a.s.).[12]
Diferenças na formulação do hadith nas fontes xiitas e sunitas
O Hadith Iqtida wa Ihtida aparece com diferentes formulações nas fontes sunitas:
- «إنّما اصحابی کالنجوم بأَیهم اقتَدَیتُم اهتَدَیتم» (Meus Companheiros são como estrelas; a quem você seguir, será guiado.)[13]
- «إنَّ أصحابی بِمَنزِلَةِ النُجومِ فِی السماء، فَأَیما أَخَذتُم بِه اِهْتَدَیتُم» (Meus Companheiros têm a posição das estrelas no céu; a quem você se apegar, será guiado.)[14]
- «مَثَلُ أَصحابی مَثَلُ النُجوم، مَن اقْتَدی بِشَیءٍ مِنها اِهتَدی» (O exemplo dos meus Companheiros é como o das estrelas; quem seguir algum deles será guiado.)[15]
A última formulação é considerada a mais famosa,[16] embora as pequenas diferenças de expressão não alterem o significado.[17]
Atribuição aos Ahl al-Bayt nas fontes xiitas

Nas fontes xiitas, a narração também aparece com um conteúdo diferenciado:
Muhammad b. Hassan Safar Qomi (falecido 290 H / ≈ 903 d.C.), em Bassaʾir al-Darajat: após recomendar agir segundo o Alcorão e a Sunna, o Profeta diz que os Companheiros são como estrelas que guiam. Ao ser questionado sobre quem são esses Companheiros, ele respondeu: "Minha Família (Ahl al-Bayt)".[18]
Sheikh Saduq (falecido 381 H / ≈ 992 d.C.), em ʿUyun Akhbar al-Rida (a.s.): a autenticidade do hadith é questionada ao Imam al-Rida (a.s.), que identifica os Companheiros como aqueles que não sofreram mudanças após o Profeta.[19]
Segundo essas narrações, apenas os Ahl al-Bayt (a.s.) podem ser considerados os Companheiros mencionados neste hadith. Outras narrações xiitas que confirmam isso incluem Hadith al-Safina, Hadith al-Saqalain e Hadith al-Kissá.[20] Em algumas fontes sunitas, a formulação «Ahl baiti ka al-nujum bi ayyihim iqtadaitum ihtadaitum» (“Ahl al-Bayt são como as estrelas; a quem deles você seguir, será guiado”) aparece em substituição a «Ashabi ka al-nujum».[21] Sayyid Ali Milani, estudioso xiita do teologia islâmica, também escreveu um livro intitulado "Ashabi Kalnujum". Nesta obra, ele examina a cadeia de transmissão e o conteúdo deste hadith, apresentando uma crítica à mesma. [46]
Problemas de conteúdo do hadith
Os estudiosos xiitas, ao criticar a interpretação dada ao hadith «Ashabi ka al-Nujum», apresentaram argumentos que podem ser agrupados em três categorias principais:
- Aceitar o conteúdo da narração e suas implicações — como a infalibilidade, a justiça e a capacidade de guiar todos os Companheiros — é impossível devido às divergências e contradições de comportamento entre eles, que às vezes chegaram a confrontos armados e derramamento de sangue.[22]
- O conteúdo do hadith é incompatível com versículos do Alcorão que criticam alguns Companheiros e mencionam a presença de hipócritas entre eles, como al-Anfal 15-16, at-Tawba 16, 23-25, 38, 86-87, 107 e al-Jumuʿa 11.[23]
- Conflita com outros hadiths que proíbem seguir os Companheiros,[nota 1] relatam a apostasia de alguns Companheiros,[nota 2] admitem ignorância deles em questões religiosas,[24] sua falta de aderência à religião[25] e inovações religiosas por eles introduzidas.[26][27]
Falsidade e fraqueza da narração segundo estudiosos sunitas
Alguns estudiosos sunitas, como Ibn Hazm (falecido 456 H / 1064 d.C.),[28] Ibn ʿAbd al-Barr Qurtubi (463 H / 1071 d.C.),[29] Ibn Qudamah (620 H / 1223 d.C.),[30] Abu Hayyan al-Andalussi (745 H / 1344 d.C.),[31] Ibn Qayyim al-Jawziyyah (751 H / 1350 d.C.),[32] Ibn Abi al-ʿIzz al-Hanafi (792 H / 1389 d.C.),[33] e Muhammad Nassir al-Din al-Albani (1429 H / 2008 d.C.),[34] consideram a narração "Ashabi ka al-Nujum" como falsa, inválida e mentirosa.
Outros, como al-Bayhaqi (458 H / 1066 d.C.), Ibn Taymiyya (728 H / 1328 d.C.), Ibn Mulaqqan (804 H / 1401 d.C.), Sakhawi (902 H / 1496 d.C.) e Mubarakfuri (falecido em 1353 H / 1934 d.C.),[35][36][37][38][39] reconhecem a existência da narração, mas apontam grave fraqueza e registro em livros não confiáveis.
Além disso, alguns estudiosos da ciência de confiabilidade de narradores (ʿIlm al-Rijal) consideram que certos transmissores desta narração são fracos ou falsificadores.[40]