Rascunho:Hukm Al-jihad
O hukm al-jihad, ou fatwa de jihad, refere-se à ordem emitida pelo governante legítimo da sharia para a realização do jihad contra inimigos, bem como à definição de suas características. A emissão do hukm al-jihad no período da ocultação (ghayba) é considerada um indicativo da influência e da autoridade das fatwas dos marjaʿ al-taqlid xiitas, além de ser um meio de preservação da religião e da segurança da sociedade islâmica diante de agressores.
Segundo a jurisprudência islâmica, após a emissão do hukm al-jihad, todo muçulmano com capacidade defensiva deve participar do jihad contra o inimigo. Esse veredito é emitido quando há agressão ao território islâmico, ameaça à religião e risco à honra e independência dos muçulmanos por parte de um mujtahid qualificado.
Importância e posição
O hukm al-jihad é definido como a ordem do governante religioso para a realização do jihad contra inimigos e a determinação de suas condições.[1] A emissão do hukm al-jihad na era da ocultação é vista como sinal da influência e autoridade das fatwas dos marjaʿ xiitas, bem como da importância da preservação da vida, dos bens dos muçulmanos e da independência de seus territórios contra inimigos.[2]
Afirma-se que esse tipo de fatwa, assim como o próprio jihad defensivo na era da ocultação, contribui para a preservação da religião e da segurança da sociedade islâmica contra agressores.[3]
Os juristas xiitas, em diversas ocasiões históricas, incentivaram a defesa e a resistência contra inimigos por meio da emissão do hukm al-jihad, especialmente em casos de invasão ou ameaça à religião, honra e independência dos muçulmanos.[4]
Por exemplo, com a fatwa de jihad de Muhammad Taqi Shirazi em 1337 h.q., ocorreu a revolta conhecida como Thawrat al-‘Ishrin contra o colonialismo britânico no Iraque, especialmente nas regiões xiitas.[5]
Os juristas xiitas não consideram o jihad defensivo condicionado à presença ou autorização do Imam (a.s.) ou de seu representante especial.[6]
No entanto, segundo Ja‘far Kashif al-Ghita, o jihad defensivo organizado durante a grande ocultação necessita da autorização de um mujtahid qualificado.[7] Já Hossein Ali Montazeri não considera essa condição obrigatória para a legitimidade do jihad defensivo, entendendo que o papel do wali al-faqih é de supervisão. Segundo ele, o jihad defensivo é obrigatório para todos os muçulmanos independentemente dessa condição.[8]
Famosas fatwas de jihad
Ao longo da história, diversos exemplos de fatwas de jihad foram emitidos por juristas xiitas:
Com a invasão das forças russas ao Irã entre 1241 e 1243 h.q., vários estudiosos como Ja‘far Kashif al-Ghita, Sayyid Ali Tabataba’i, Mirza Qomi, Mulla Ahmad Naraqi e Sayyid Muhammad Mujahid emitiram fatwas de jihad para defesa do governo Qajar e do povo muçulmano iraniano.[9]
Essas fatwas foram reunidas, por ordem de Abbas Mirza, em uma coleção intitulada Ahkam al-jihad wa asbab al-rashad.[10] Alguns estudiosos consideram essas decisões como as primeiras fatwas de jihad na história do xiismo.[11]
A fatwa de Muhammad Taqi Shirazi foi uma das mais influentes, emitida em 20 Rabi‘ al-awwal de 1337 h.q., contra a presença britânica no Iraque. O texto da fatwa dizia que reivindicar direitos era obrigatório para os iraquianos e que, caso a Grã-Bretanha recusasse suas demandas, era permitido recorrer à defesa armada.[12][13]
Na guerra contra a Itália na Líbia, juristas como Akhund Khorasani, Sayyid Ismail Sadr, Sheikh Abdullah Mazandarani e Sheikh al-Sharia Isfahani emitiram uma declaração convocando os muçulmanos à defesa dos territórios islâmicos.[14]
Durante a Primeira Guerra Mundial (1293–1297 sh), Sayyid Abd al-Hussein Musavi Lari emitiu instruções para líderes tribais e enfatizou a obrigatoriedade do jihad contra os britânicos.[16]
Na invasão wahhabita de santuários como Najaf e Karbala em 1217 h.q., relatos históricos indicam que a fatwa de Sheikh Ja‘far Kashif al-Ghita, acompanhada por cerca de duzentos juristas e combatentes, ajudou a repelir os invasores.[17]
Fatwas posteriores também incluíram a defesa da Palestina, emitidas por juristas como Muhammad Husayn Kashif al-Ghita,[18] Sayyid Hossein Borujerdi[19] e Imam Khomeini.[20]
Após a fundação de Israel e os conflitos de 1948, Abdul Karim Zanjani emitiu uma fatwa de jihad contra Israel.[21]
Em 2014, diante do avanço do grupo ISIS no Iraque, o aiatolá Ali al-Sistani emitiu uma fatwa de jihad defensivo[22], tornando obrigatório para os cidadãos capazes o apoio às forças de defesa do país e à proteção dos lugares sagrados.[23]
Monografia
A obra Risā’il wa fatāwā al-jihād, de Muhammad Hasan Rajabi, reúne 95 tratados e fatwas emitidos entre 1200 e 1338 h.q. por juristas muçulmanos sobre o jihad contra potências coloniais. O livro foi publicado pelo Ministério da Cultura e Orientação Islâmica em 1378 sh.[24]
Durante o período Qajar e as guerras Irã-Rússia, várias obras conhecidas como jihadiyya foram publicadas, contendo fatwas sobre a obrigatoriedade do jihad contra as forças russas.[25] Entre elas estão al-Jihad al-‘Abbasiya, de Sayyid Muhammad Mujahid, e Jami‘ al-Shatat, de Mirza Qomi.[26]