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Rascunho:O boicote aos Banu Hashim em Shiib Abi Talib

De wikishia

O boicote aos Banu Hashim em Shiib Abi Talib foi um bloqueio abrangente — econômico, social e político — imposto pelos coraixitas contra o Profeta Muhammad (s.a.a.s.) e os Banu Hashim, com o objetivo de forçá-los a interromper a pregação islâmica em Meca. Segundo o documento do pacto redigido pelos líderes coraixitas, toda relação comercial, matrimonial e social com os sitiados (os Banu Hashim) foi rompida.

Esse embargo durou três anos e impôs grandes provações aos Banu Hashim. Segundo fontes históricas, o Profeta (s.a.a.s.) anunciou que cupins haviam corroído o documento do pacto, restando nele apenas o nome de Deus; após a verificação e confirmação desse fato, o boicote chegou ao fim.

Motivos e contexto do boicote

Segundo o relato de Ibn Saad, a boa acolhida dada pelo Negus, rei da Abissínia, aos muçulmanos migrados despertou a ira dos líderes coraixitas, que decidiram matar o Profeta. Os líderes coraixitas elaboraram um documento do pacto, escrito pela mão de Mansur ibn Ikrimah, e, ao afixá-lo na Kaaba, juraram cumprir seus termos.[1]

Os termos do documento do pacto

Segundo esse documento do pacto, toda transação comercial, relação social e casamento com os seguidores do Profeta Muhammad (s.a.a.s.) foram proibidos. A única condição para o fim do boicote era a entrega do Profeta aos coraixitas para ser morto. O pacto entrou em vigor com a assinatura de quase todos os líderes coraixitas (com exceção de Mutim ibn Adi),[2] e todo recém-chegado a Meca também era impedido de negociar com os Banu Hashim; em caso de violação, seus bens eram confiscados.[3]

A situação dos Banu Hashim durante o boicote

A liderança do Profeta em Shiib Abi Talib

“Sayyid Ali Khamenei:

"Shiib Abi Talib foi um período muito difícil na história do início do islã. A pregação pública do Profeta já havia começado; pouco a pouco, o povo de Meca, sobretudo os jovens e os escravos,aderia a ele, e os líderes idólatras, como Abu Lahab, Abu Jahl e outros, perceberam que não tinham outra saída senão expulsar de Meca o Profeta e todo o seu círculo próximo; foi exatamente isso que fizeram, e eles foram forçados a se refugiar em Shiib Abi Talib... Em Meca, os dias eram quentes e as noites, extremamente frias, uma situação insuportável. Eles viveram três anos naqueles desertos. Quanta fome passaram, quanta dificuldade suportaram, quanto sofrimento enfrentaram, só Deus sabe. Um dos períodos mais difíceis do Profeta foi aquele. Nesse tempo, a responsabilidade do Profeta não era apenas a de liderança, no sentido de administrar uma comunidade; ele também precisava conseguir defender, diante daqueles que estavam sofrendo, aquilo que fazia... Nessas circunstâncias, o papel de Fátima Zahra (s.a.) foi o de uma mãe, de uma conselheira, de uma cuidadora para o Profeta. Foi ali que se disse que Fátima é 'Umm Abiha' [a mãe de seu pai]."”

''Discurso proferido em audiência com autoridades do sistema por ocasião do Mabas (aniversário do início da missão profética) do Profeta Muhammad, 30 de julho de 2008.[4]

Em reação às pressões dos coraixitas, a convite de Abu Talib, os Banu Hashim (com exceção de Abu Lahab e sua família) transferiram-se para Shiib Abi Talib, um vale nos arredores de Meca.[5]

Os muçulmanos só tinham permissão para sair de Shiib a fim de fazer compras durante os dias do Hajj.[6] Segundo Ibn Saad, o início do boicote ocorreu no mês de Muharram do sétimo ano da missão profética (aprox. 616 d.C.),[7] e durou três anos[8] — segundo outro relato, quatro anos.[9]

Esse boicote foi acompanhado de rigor severo e fome,[10] e os coraixitas impediam que qualquer suprimento chegasse a Shiib. Ainda assim, algumas pessoas conseguiam, secretamente, levar pequenas quantidades de mantimentos aos sitiados. Hakim ibn Hizam,[11] sobrinho de Khadija (a.s.), Abu al-As ibn Rabi[12] e Hisham ibn Amr carregavam, à noite, trigo e tâmaras sobre um camelo e deixavam a carga próxima a Shiib.[13]

O Imam Ali (a.s.) também mencionou, em uma carta a Muawiya, as condições difíceis enfrentadas pelos muçulmanos em Shiib Abi Talib.[14]

A estratégia dos muçulmanos diante do boicote

Ao longo do boicote a Shiib Abi Talib, os muçulmanos resistiram à pressão dos coraixitas empregando diferentes estratégias. A riqueza de Khadija (a.s.) foi a principal fonte de sustento financeiro dos sitiados.[15] Além disso, a prática do infaq (doação caridosa) e do zakat (esmola obrigatória) foi reforçada como mecanismo de ajuda mútua interna.[16] Alguns politeístas, em razão de laços tribais, enviavam mantimentos secretamente,[17] e o embargo também era violado às escondidas por alguns muçulmanos, entre eles o Imam Ali (a.s.).[18]

Abu Talib garantia a segurança do Profeta (s.a.a.s.) por meio da designação de guardas[19] e de medidas de proteção, como a troca constante do local onde ele dormia.[20]

Esse período foi marcado pelo fortalecimento espiritual por meio da revelação dos versículos da surata al-Qasas,[21] pela perseverança de líderes como o Profeta Muhammad (s.a.a.s.) e Abu Talib,[22] e pela formação de solidariedade social entre os muçulmanos.[23] A paciência e a união dos muçulmanos provocaram divisões entre os líderes coraixitas e, por fim, levaram ao fim do boicote.[24]

O fim do boicote

No décimo ano da missão profética (aprox. 619 d.C.), a oposição de Abu Jahl ao envio de mantimentos a Khadija por Hakim ibn Hizam provocou protesto e censura por parte de alguns líderes coraixitas.[25] Esse episódio, aos poucos, gerou arrependimento em um grupo de politeístas e fez com que passassem a apoiar os Banu Hashim. Diante do protesto contra a desigualdade das condições de vida entre as tribos, um grupo de signatários do documento do pacto decidiu revogá-lo. Segundo o relato de Ibn Hisham, ao examinarem o documento, constataram que os cupins haviam destruído todo o texto do pacto, exceto a expressão "Bismika Allahumma" (Em teu nome, ó Deus).[26] Segundo outro relato, o Profeta Muhammad (s.a.a.s.) foi informado, por meio da revelação divina, de que o documento havia sido corroído pelos cupins,[27] e Abu Talib propôs aos coraixitas: se a notícia fosse verdadeira, o boicote deveria terminar; caso contrário, ele entregaria o Profeta (s.a.a.s.). Após a confirmação da veracidade do que o Profeta (s.a.a.s.) havia dito, o boicote foi rompido.[28]

Referências

  1. ↑ Ibn Saʿd, al-Ṭabaqāt al-Kubrā, vol. 1, pág. 163.
  2. ↑ Ibn Kathīr, al-Bidāyah wa al-Nihāyah, vol. 3, págs. 84–86; Ibn Saʿd, al-Ṭabaqāt al-Kubrā, vol. 1, pág. 163.
  3. ↑ Ṭabrisī, Iʿlām al-Warā, vol. 1, pág. 126.
  4. ↑ شعب ابی‌طالب
  5. ↑ Maqrīzī, Imtāʿ al-Asmāʿ, vol. 1, pág. 44.
  6. ↑ Ṭabrisī, Iʿlām al-Warā, vol. 1, pág. 127.
  7. ↑ Ibn Saʿd, al-Ṭabaqāt al-Kubrā, vol. 1, pág. 163.
  8. ↑ Balādhurī, Ansāb al-Ashrāf, vol. 1, pág. 234.
  9. ↑ Ṭabrisī, Iʿlām al-Warā, vol. 1, págs. 127 e 128.
  10. ↑ Ṭabrisī, Iʿlām al-Warā, vol. 1, pág. 127; Qāʾidān, Tārīkh wa Āthār-i Islāmī-yi Makkah wa Madīnah, pág. 114.
  11. ↑ Ibn Hishām, al-Sīrah al-Nabawiyyah, vol. 1, pág. 354.
  12. ↑ Ṭabrisī, Iʿlām al-Warā, vol. 1, pág. 128.
  13. ↑ Ibn Hishām, al-Sīrah al-Nabawiyyah, vol. 1, pág. 354.
  14. ↑ Naṣr ibn Muzāḥim, Waqʿat Ṣiffīn, seção 2, pág. 89.
  15. ↑ Yaʿqūbī, Tārīkh al-Yaʿqūbī, vol. 2, pág. 31; ʿĀmilī, al-Ṣaḥīḥ min Sīrat al-Nabī al-Aʿẓam, vol. 3, pág. 196.
  16. ↑ Qāsimzādah e Aḥmadwand, «Wākāvī-yi Muḥāṣarah-yi Iqtiṣādī wa Ijtimāʿī-yi Payāmbar-i Akram (s.) wa Pīrawānash dar Shuʿb-i Abī Ṭālib», pág. 63.
  17. ↑ Ibn Kathīr, al-Bidāyah wa al-Nihāyah, vol. 3, pág. 88.
  18. ↑ Iskāfī, al-Miʿyār wa al-Muwāzanah, pág. 89.
  19. ↑ Ṭabrisī, Iʿlām al-Warā, vol. 1, pág. 126.
  20. ↑ Ibn Abī al-Ḥadīd, Sharḥ Nahj al-Balāghah, vol. 14, pág. 64.
  21. ↑ Sayyid Ḥusaynzādah Yazdī e Sharīfzādah, «Sīrah-yi Payāmbar-i Akram (s.) dar Muqābilah bā Tahdīd-hā-yi Iqtiṣādī», pág. 11.
  22. ↑ Ibn Kathīr, al-Bidāyah wa al-Nihāyah, vol. 3, pág. 84.
  23. ↑ Zargarī-Nizhād, Tārīkh-i Ṣadr-i Islām (ʿAṣr-i Nubūwat), págs. 281–282.
  24. ↑ Sayyid Ḥusaynzādah Yazdī e Sharīfzādah, «Sīrah-yi Payāmbar-i Akram (s.) dar Muqābilah bā Tahdīd-hā-yi Iqtiṣādī», pág. 11.
  25. ↑ Ibn Hishām, al-Sīrah al-Nabawiyyah, vol. 1, pág. 353.
  26. ↑ Ibn Hishām, al-Sīrah al-Nabawiyyah, vol. 1, págs. 374–376.
  27. ↑ Balādhurī, Ansāb al-Ashrāf, vol. 1, pág. 234.
  28. ↑ Ibn Saʿd, al-Ṭabaqāt al-Kubrā, vol. 1, pág. 164.

Bibliografia

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  • Sayyid Ḥusaynzādah Yazdī, Saʿīd e Muḥammad Javād Sharīfzādah, «سیره پیامبر اکرم(ص) در مقابله با تهدیدهای اقتصادی» (A conduta do Profeta do Islã (s.a.a.s.) no enfrentamento das ameaças econômicas), Economia Islâmica, n.º 62, 2016.
  • Qāsimzādah, Ifṭikhār e Fāṭimah Aḥmadvand, «واکاوی محاصرۀ اقتصادی و اجتماعی پیامبر اکرم(ص) و پیروانش در شعب ابی‌طالب» (Análise do cerco econômico e social ao Profeta do Islã (s.a.a.s.) e seus seguidores em Shiʿb Abī Ṭālib), História e Sīrah de Ahl al-Bait, n.º 4, outono e inverno de 2020.