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Rascunho:Refeição do Iftar

De wikishia

Este artigo aborda o ritual, os costumes e também as iguarias do momento da quebra do jejum. Para familiarizar-se com as etiquetas e os preceitos jurídicos, consulte o verbete: Iftar.

A refeição do Iftar consiste no alimento com o qual o jejuador encerra o seu jejum. De acordo com as narrativas da Família purificada do Profeta (Ahl al-Bait) (a.s.), a recompensa por prover esta refeição equivale à recompensa do próprio jejum, sendo um ato fortemente recomendado. Prover a refeição da quebra do jejum é uma das tradições dos muçulmanos durante o mês de Ramadã. Em diversos países, existem rituais e costumes específicos para essa oferta.


Virtude

Trecho do Sermão de Shaban, proferido pelo Profeta Muhammad (s.a.a.s.), sobre a virtude de prover a refeição da quebra do jejum:

«Quem de vós oferecer a refeição do Iftar a um fiel jejuador no mês de Ramadã, terá perante Deus a recompensa de quem liberta um escravo, além do perdão de seus pecados passados». Alguém perguntou: «Ó Mensageiro de Deus! Nem todos nós temos condições para isso». Ele respondeu: «Protejam-se do fogo do inferno oferecendo a refeição do Iftar ao jejuador, nem que seja com meia tâmara ou um gole de água».

(Sheikh Saduq, Uyun Akhbar al-Rida (a.s.), 1378 H., vol. 1, p. 296).

A refeição do Iftar é o alimento com o qual o jejuador encerra o seu jejum. Com base nas narrativas, oferecer essa refeição ao jejuador possui grande virtude.[1] Dentre elas, em uma narrativa transmitida pelo Imam Sadiq (a.s.), a recompensa de quem a oferece é semelhante à recompensa do próprio jejuador.[2] Além disso, o Profeta Muhammad (s.a.a.s.), na narrativa conhecida como o Sermão de Shaban, considerou a recompensa da refeição oferecida ao fiel jejuador equivalente à recompensa de libertar um escravo e ao perdão dos pecados.[3]


Mesas Comunitárias

Prover a refeição do Iftar é um dos rituais dos muçulmanos, realizado em diferentes países com costumes variados. Nos países islâmicos, governantes e a população costumavam organizar mesas comunitárias para a quebra do jejum.[4] No período fatímida (909 – 1171), no Egito, o Dar al-Fitra era um local onde, no momento da quebra do jejum, eram distribuídos alimentos e doces entre as pessoas.[5]

No período búida (934 – 1056), nas noites do mês de Ramadã em Bagdá, organizavam-se banquetes para a quebra do jejum, nos quais participavam mais de 1.000 pessoas.[6] Ibn Battuta, o viajante do século XIV d.C., ao visitar Damasco, menciona emires, juízes e notáveis que convidavam grandes grupos de pessoas para as mesas comunitárias do Iftar, de tal modo que ninguém fizesse a sua quebra do jejum sozinho nas noites do Ramadã.[7] Da mesma forma, a tradição de prover essa refeição era comum no período safávida (1501 – 1736)[8] e no período qajar (1789 – 1925), no Irã. Segundo Abdullah Mustawfi, no período qajar, a maioria dos nobres provia a refeição do Iftar, e aqueles que não tinham condições de oferecer alimento aos necessitados distribuíam tâmaras como caridade entre os jejuadores nas mesquitas.[9]


Quebra do Jejum Simples

No período da República Islâmica do Irã, em locais sagrados como o santuário do Imam Rida (a.s.), o santuário da Senhora Fátima Masuma (s.a.) e em algumas mesquitas, são organizadas mesas de quebra do jejum simples.[10] Da mesma forma, em locais religiosos de outros países, como o santuário do Imam Hussain (a.s.) e o santuário do Imam Ali (a.s.) no Iraque[11], bem como na Masjid al-Haram e na Masjid al-Nabawi na Arábia Saudita[12], também se organizam mesas de quebra do jejum simples. O Aiatolá Khamenei, líder Supremo da República Islâmica do Irã, recomendou o estabelecimento de mesas de quebra do jejum simples como forma de promover a simplicidade e a fraternidade.[13]


Alimentos Comuns

De acordo com as narrativas, a quebra do jejum com tâmaras ou água morna é recomendada[14] e acredita-se que quebrar o jejum com tâmaras traz grande recompensa.[15]

Os alimentos do Iftar são variados. Alguns dos itens comuns incluem: tâmaras, sal, pão, leite, água fervida, infusão de nabat (açúcar cristalizado), diversos tipos de halwa (doce pastoso de farinha, gordura e mel ou açúcar), arroz doce com açafrão, além de sopas e caldos.[16]

No Irã e em diversos países árabes, é frequente a presença de doces específicos, como zulbia e bamieh (doces fritos e mergulhados em calda), kunafa e qatayef (panquecas recheadas).[17]