Rascunho:Sepah Pasdaran Enqelab Islami
O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (Sepah-e Pasdaran-e Enqelab-e Eslami) é uma instituição militar criada com o objetivo de preservar a Revolução Islâmica do Irã e as suas conquistas. Foi oficialmente estabelecido em 22 de abril de 1979 por ordem do Imam Khomeini.
Em 17 de setembro de 1985, por determinação do Imam Khomeini, o Corpo da Guarda Revolucionária foi ampliado para incluir três forças: terrestre, aérea e naval. Posteriormente, em 1990, por ordem de Sayyid Ali Khamenei, então Líder da República Islâmica do Irã, foram acrescentadas a Força Quds e a Organização de Resistência Basij, passando a instituição a contar com cinco forças principais. Além das atividades militares, o Corpo atua também nos campos da inteligência, construção civil e atividades culturais.
De acordo com o artigo 110 da Constituição da República Islâmica do Irã, a nomeação, destituição e aceitação da renúncia do Comandante-Geral do Corpo da Guarda Revolucionária estão entre as competências do Líder.
Em 8 de abril de 2019, o governo dos Estados Unidos anunciou oficialmente, por meio de uma declaração, a inclusão do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, especialmente da Força Quds, na lista de organizações terroristas estrangeiras. Em resposta, o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã classificou o governo dos Estados Unidos como um “Estado patrocinador do terrorismo” e o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), responsável pelas forças norte-americanas na Ásia Ocidental, como uma “organização terrorista”.
O Imam Khomeini descreveu os membros do Corpo da Guarda Revolucionária como “soldados do Islã”, enquanto Sayyid Ali Khamenei considerou esta instituição um dos pilares e elementos inseparáveis da Revolução Islâmica, afirmando que, sem ela, a Revolução enfrentaria sérios perigos.
Apresentação
O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica é composto pelo Estado-Maior-Geral, pelo Gabinete de Representação do Líder Supremo no Corpo, pela Organização de Proteção da Informação, pela Força Terrestre, Força Aeroespacial, Força Naval, Organização de Resistência Basij, Força Quds e demais organizações vinculadas.[1]
Segundo o artigo 150 da Constituição iraniana, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, criado nos primeiros dias da vitória da Revolução Islâmica, deve permanecer ativo para continuar desempenhando sua função de proteger a Revolução e suas conquistas.[2]
Além disso, conforme o artigo 110 da Constituição, a nomeação, destituição e aceitação da renúncia do Comandante-Geral do Corpo da Guarda Revolucionária constituem prerrogativas do Líder.[3]
Mohammad Pakpour foi nomeado Comandante-Geral do Corpo em 13 de junho de 2025 por decreto de Sayyid Ali Khamenei. Em 28 de fevereiro de 2026, foi morto juntamente com Sayyid Ali Khamenei e vários outros comandantes militares, sendo substituído por Ahmad Vahidi.
No calendário iraniano, o dia 3 de Sha‘ban, aniversário do nascimento do Imam Hussain (a.s.), é celebrado como o Dia do Guarda Revolucionário.[4]
Posição e importância
O Imam Khomeini chamou os membros do Corpo da Guarda Revolucionária de “soldados do Islã” e conclamou o povo a apoiá-los.[5] Em um encontro com um grupo de guardas revolucionários, declarou:
“Estou satisfeito com o Corpo da Guarda Revolucionária e jamais mudarei minha opinião sobre vós. Se o Corpo não existisse, o país também não existiria. Tenho grande estima e respeito pelo Corpo da Guarda Revolucionária. Os meus olhos estão voltados para vós.”[6]
Sayyid Ali Khamenei comparou o Corpo da Guarda Revolucionária a uma criança nascida nos primeiros anos da Revolução, que cresceu e se desenvolveu em seu ambiente. Segundo ele, a instituição tornou-se um dos pilares da Revolução e um elemento inseparável dela, de tal forma que sua ausência colocaria a Revolução diante de sérios riscos.[7]
Em 8 de abril de 2019, o governo dos Estados Unidos, por meio de uma declaração emitida pelo então presidente Donald Trump, incluiu oficialmente o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, especialmente a Força Quds, na lista de organizações terroristas estrangeiras.[8]
Como medida recíproca, o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã classificou o governo dos Estados Unidos como um “Estado patrocinador do terrorismo” e o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) como uma “organização terrorista”.[9]
História e fundação
O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica é uma instituição militar criada para proteger a Revolução Islâmica e suas conquistas. Sua fundação ocorreu em 22 de abril de 1979 por ordem do Imam Khomeini.[10]
Segundo as memórias de Mohsen Rafiqdoust, presidente da Fundação dos Oprimidos entre 1989 e 1999, a ideia de criar uma força militar distinta do Exército para defender a Revolução foi inicialmente apresentada por Mohammad Montazeri.[11]
De acordo com Rafiqdoust, quatro grupos armados com o objetivo comum de proteger a Revolução foram formados nos primeiros meses após a vitória revolucionária. Cada um deles considerava ser sua responsabilidade defender a Revolução.[12]
Esses grupos acabaram sendo unificados, formando uma nova organização dirigida por um conselho de comando composto por doze membros. Durante um encontro de três representantes desse grupo com o Imam Khomeini em Qom, ele ordenou a criação de uma força armada ideológica independente do Governo Provisório. Dessa forma, em 22 de abril de 1979, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica foi oficialmente constituído.[13]
Em 17 de setembro de 1985, por ordem do Imam Khomeini, a instituição passou a contar com três forças: terrestre, aérea e naval.[14]
Em 1990, por determinação de Sayyid Ali Khamenei, foram acrescentadas a Força Quds e a Resistência Basij, elevando o número total de forças para cinco.[15]
Estrutura organizacional
As forças que compõem o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica são as seguintes:
Força Terrestre
A Força Terrestre do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (Niru-ye Zamini-ye Sepah), conhecida pela sigla NEZSA, iniciou oficialmente as suas atividades em 1985 sob o comando de Yahya Rahim Safavi. Divisões e brigadas desta força foram estabelecidas paralelamente às do Exército em diferentes províncias do Irã.[16]
Desde junho de 2025, o comando desta força está a cargo de Mohammad Karami.
Força Naval
A Força Naval do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (Niru-ye Daryayi-ye Sepah), conhecida pela sigla NEDSA, iniciou as suas atividades em 1985 durante a guerra entre o Irã e o Iraque, sob o comando de Hossein Alaei.[17]
Entre as suas atribuições estão a proteção e a defesa das fronteiras marítimas do país contra agressões estrangeiras.[18]
Em 23 de agosto de 2018, Alireza Tangsiri foi nomeado comandante desta força.[19]
Força Aeroespacial
A Força Aeroespacial do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (Niru-ye Havaza-ye Sepah) teve origem na Força Aérea do Corpo, criada em 1985. Em 2009, com a incorporação do setor espacial às suas atividades, foi oficialmente transformada em Força Aeroespacial.[20]
Conhecida pela sigla NEHSA, esta força é responsável não apenas pelas operações aéreas, mas também pelos programas de mísseis e pelas atividades espaciais do Corpo da Guarda Revolucionária.[21]
Em resposta às ações hostis do regime sionista contra a República Islâmica do Irã, a Força Aeroespacial realizou, em 13 de abril[22] e em 1º de outubro de 2024,[23] ataques com drones e mísseis contra alvos militares e de segurança nos territórios ocupados, operações conhecidas como Promessa Verdadeira 1 e Promessa Verdadeira 2.
Em 2020, também lançou ataques contra bases militares dos Estados Unidos no Iraque em resposta ao assassinato de Qassem Soleimani, então comandante da Força Quds.[24]
Posteriormente, após o assassinato de vários cientistas nucleares e comandantes militares iranianos em junho de 2025 — entre eles Amir Ali Hajizadeh — e o conflito conhecido como Guerra dos Doze Dias, foi executada a operação Promessa Verdadeira 3.
Após o assassinato de Ayatollah Sayyid Ali Khamenei, Líder da República Islâmica do Irã, juntamente com diversos comandantes militares em fevereiro de 2026, durante o conflito posteriormente denominado Guerra do Ramadã, foi realizada a operação Promessa Verdadeira 4.
Amir Ali Hajizadeh exerceu o comando da Força Aeroespacial entre 2009 e 2025.[25] Após seu assassinato por Israel, Sayyid Hossein Mousavi Eftekhari, conhecido como Sayyid Majid Mousavi, foi nomeado comandante da força.
Força Quds
Artigo principal: Força Quds do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica
A Força Quds foi criada em 1990 por ordem de Ayatollah Khamenei e sob o comando inicial de Ahmad Vahidi, com o objetivo de ampliar as atividades extraterritoriais da República Islâmica do Irã.[26]
Após o martírio de Qassem Soleimani, em 3 de janeiro de 2020, Esmail Qaani foi nomeado comandante da força por decreto do Líder da Revolução Islâmica.[27]
Entre as atividades atribuídas à Força Quds estão o apoio e fortalecimento dos movimentos de resistência, como o Hezbollah do Líbano, o Hashd al-Sha‘bi do Iraque, a Divisão Fatemiyoun do Afeganistão e o Ansar Allah do Iêmen,[28] bem como a atuação contra os Estados Unidos, Israel e seus projetos na região.[29]
A força também esteve presente em missões militares e de assessoria em países como Bósnia, Afeganistão e Líbano,[30] além de participar do combate ao grupo ISIS no Iraque e na Síria.[31]
Organização Basij dos Oprimidos
Artigo principal: Basij
A Organização Basij dos Oprimidos (Sazman-e Basij-e Mostazafin) é uma instituição paramilitar subordinada ao Líder da República Islâmica do Irã.
Foi criada em 26 de novembro de 1979 por ordem do Imam Khomeini, com o objetivo de proteger a Revolução Islâmica e as suas conquistas. Após a aprovação do Parlamento Islâmico em janeiro de 1981, adquiriu reconhecimento legal.[32]
Em 1990, a Força de Resistência Basij foi incorporada ao Corpo da Guarda Revolucionária por determinação de Sayyid Ali Khamenei.[33]
Em 4 de outubro de 2009, sua denominação foi alterada de “Força de Resistência Basij” para “Organização Basij dos Oprimidos”.[34]
Atividades não militares
Além das suas funções militares, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica desenvolve atividades em diversos outros setores.
Atividades de inteligência
As atividades de inteligência do Corpo são realizadas por meio da Organização de Inteligência do Corpo da Guarda Revolucionária.[35]
A unidade de inteligência foi criada simultaneamente à fundação da instituição, sob o nome de Vice-Presidência de Inteligência e Investigações do Corpo, assumindo inicialmente a responsabilidade de combater grupos contrarrevolucionários.[36]
Em 1984, com a criação do Ministério da Inteligência, parte dos seus membros foi transferida para o novo ministério. A unidade passou então a concentrar-se na coleta de informações militares, transformando-se gradualmente em uma estrutura de inteligência e operações.[37]
Na metade da década de 1990, além das missões militares, assumiu também responsabilidades de segurança sob a designação de Vice-Presidência de Inteligência do Estado-Maior Conjunto do Corpo.
Em 2009, essa estrutura foi elevada à categoria de Organização de Inteligência do Corpo da Guarda Revolucionária, sob o comando de Hossein Taeb.[38] Atividades de construção civil
As atividades de construção e desenvolvimento do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica são realizadas por meio da Base de Construção Khatam al-Anbiya (s.a.a.s.) (Qarargah-e Sazandegi Khatam al-Anbiya).[39]
Essa instituição, de caráter semiestatal, foi criada em 1989 por iniciativa de Mohsen Rezaei, então comandante do Corpo da Guarda Revolucionária, com o objetivo de participar da reconstrução do país após a Guerra Irã-Iraque.[40]
A Base de Construção Khatam al-Anbiya atua em diversos setores de infraestrutura, incluindo projetos de transporte, energia, petróleo e gás, recursos hídricos, obras urbanas e desenvolvimento industrial.
Em 13 de março de 2021, Sayyid Hossein Housh al-Sadat foi nomeado comandante da instituição, sucedendo Sa‘id Mohammad.[41]
Atividades culturais e de mídia
As atividades culturais e midiáticas do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica são conduzidas sob a supervisão da Base Cultural e Social Baqiyyat Allah (a.s.) (Qarargah-e Farhangi va Ejtemai-ye Baqiyyat Allah).[42]
Em 20 de abril de 2019, Mohammad Ali Jafari foi nomeado comandante desta instituição por decreto do Líder da República Islâmica do Irã.[43]
Segundo Mohammad Ali Pourmokhtar, ex-deputado do Parlamento Islâmico e antigo membro do Corpo da Guarda Revolucionária, a Base Cultural e Social Baqiyyat Allah (a.s.) atua diretamente sob a supervisão do Líder e foi criada com o objetivo de desenvolver atividades no campo da guerra cultural e midiática, preservar e promover as conquistas da Revolução Islâmica e combater a degradação cultural por meio de instrumentos educacionais, culturais e de comunicação.[44]