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Rascunho:Uthman ibn Sa'id Amri

De wikishia
Uthman ibn Sa'id Amri
Mausoléu de Uthman ibn Sa'id em Bagdá
Mausoléu de Uthman ibn Sa'id em Bagdá
Informações pessoais
AlcunhaAbu Amr • Abu Muhammad
Título honoríficoAmri • Samman • Zayyat • Askari
LinhagemTribo Banu Asad
Local de residênciaSamarra • Bagdá
FalecimentoAntes de 267 H
Local de sepultamentoBagdá
Parentes notáveisMuhammad ibn Uthman (filho)
ReligiãoXiismo
Informações sobre os Hadiths
Narradores deleMuhammad ibn Uthman al-Amri
CredibilidadeConfiável (thiqa)
Companheiro deImam Jawad (a.s.) • Imam Hadi (a.s.) • Imam Hassan al-Askari (a.s.) • Imam Mahdi (a.s.)


Uthman ibn Sa'id al-Amri (falecido antes de 267 H.), conhecido como Abu Amr, foi o primeiro representante especial entre os Quatro Representantes do Imame do Tempo (a.s.), durante o período da Ocultação Menor. É considerado um dos companheiros do Imame al-Hadi (a.s.), do Imame Hassan al-Askari (a.s.) e do Imame Mahdi (a.s.), embora existam dúvidas quanto a ter sido um dos companheiros do Imame al-Jawad (a.s.). Após o início do imamato do Imame Mahdi (a.s.), em 260 H., Uthman ibn Sa'id exerceu a representação especial do Imame até o fim de sua vida, aproximadamente seis ou sete anos depois. Após sua morte, seu filho Muhammad ibn Uthman assumiu a representação. Durante seu período como representante, Uthman mudou-se para Bagdá, onde exerceu suas funções como agente.Ele tinha representantes em Bagdá e em outras cidades do Iraque, que recolhiam as contribuições financeiras da população e depois as enviavam a ele. Por ocasião de sua morte, o Imame Mahdi (a.s.) enviou uma carta de condolências a seu filho. Nos textos de tradição, Uthman ibn Sa'id é mencionado por diversos títulos, como al-Zayyat e al-Amri.

Biografia

Não há informações precisas sobre a data de nascimento de Uthman ibn Sa'id. Relata-se que, aos 11 anos, ele já era servo do Imame al-Jawad (a.s.),[1] mas, segundo Shaikh Tusi, servia ao Imame al-Hadi (a.s.) desde essa idade.[2] Ele foi representante do Imame al-Hadi (a.s.), do Imame Hassan al-Askari (a.s.) e do Imame Mahdi (a.s.), tendo sempre desfrutado da confiança deles.

Uthman ibn Sa'id viveu inicialmente em Samarra e, após o martírio do décimo primeiro Imame, mudou-se para Bagdá. Naquela época, Samarra era a capital e sede das tropas da dinastia abássida, cujos governantes, desde o início, mantinham relações hostis com os Imames xiitas. Alguns afirmam que, provavelmente por esse motivo, Uthman ibn Sa'id migrou para Bagdá e estabeleceu o bairro de Karkh, onde residiam os xiitas, como centro de liderança dos imamitas.[3]

Uthman ibn Sa'id transmitiu a conhecida visita devocional denominada Ziyarat Ghadiriyya, recebida do Imame Hassan al-Askari (a.s.), que, por sua vez, a transmitiu do Imame al-Hadi (a.s.).[4]

Nomes e títulos

Nas obras de biografia dos narradores, seu nome aparece como «Uthman ibn Sa'id». No entanto, em Rijal al-Kashshi, ele também é mencionado como «Hafs ibn Amr», que talvez fosse um pseudônimo utilizado em encontros secretos com outros representantes.[5] Em todos os livros, sua kunya é registrada como «Abu Amr», em referência a seu avô paterno. Contudo, nas obras Bihar al-Anwar e Safinat al-Bihar, ele também é chamado de «Abu Muhammad», pois tinha um filho chamado Muhammad.[6] Seu título mais conhecido é al-Amri. Afirma-se que esse título lhe foi atribuído por duas razões: a primeira é que o Imame Hassan al-Askari (a.s.) não permitiu que o nome do terceiro califa, Uthman, e sua kunya, Abu Amr, fossem reunidos no nome de Uthman ibn Sa'id; a partir de então, ele passou a ser chamado de al-Amri. A segunda é que ele recebeu esse título por sua ascendência paterna, pois descendia de um antepassado chamado Amr.[7] Muhaddith Qummi também atribuiu o uso do título al-Amri à sua ascendência materna, ligada a Umar ibn Atraf al-A'la.[8]

Entre os títulos atribuídos a Uthman estão al-Samman e al-Zayyat.[9] Ele também era chamado de al-Asadi, por sua ligação com a tribo Banu Asad, e de al-Askari, por ter residido no bairro de al-Askar, em Samarra.[10]

Filhos

Dois filhos de Uthman ibn Sa'id são mencionados:

  • Muhammad ibn Uthman, que, após a morte do pai, tornou-se o segundo representante do Imame do Tempo.
  • Ahmad ibn Uthman, sobre quem não há referências nos livros e nas fontes. No entanto, entre os falsos pretendentes à representação, é mencionado um indivíduo chamado Abu Bakr Muhammad ibn Ahmad ibn Uthman, explicitamente identificado como sobrinho de Muhammad ibn Uthman.[11]

Falecimento

A data do falecimento de al-Amri, assim como a de seu nascimento, é desconhecida. Contudo, duas opiniões são mencionadas a esse respeito:

  • Antes de 267 H.: essa data é aceita pela maioria dos historiadores e estudiosos da biografia dos narradores.
  • Após 280 H.: essa opinião baseia-se em um tawqi' transmitido em 280 H. Segundo Shaikh Tusi, o narrador desse relato afirmou tê-lo ouvido em 280 H., o que, por si só, não permite determinar a data da morte de Uthman.[12]

Após o falecimento de Uthman ibn Sa'id, seu filho Muhammad realizou o ritual de lavagem do corpo e o sepultou a oeste de Madinat al-Salam, em um bairro conhecido como al-Darb, em Bagdá. Shaikh Tusi afirmou que, desde sua chegada a Bagdá, em 408 H., até depois de 430 H., visitava o túmulo de Uthman ibn Sa'id nesse local.[13] Atualmente, seu mausoléu é conhecido por estar situado no bairro de Rusafa,[14] a leste de Bagdá, em uma área chamada Mercado de Shurja.[15]

Representação dos Imames

De acordo com o que consta nos livros e nas fontes de biografias dos narradores, Uthman ibn Sa'id foi representante de três Imames infalíveis: o Imame al-Hadi (a.s.), o Imame Hassan al-Askari (a.s.) e o Imame Mahdi (a.s.). No entanto, algumas outras fontes também o descrevem como servo do Imame al-Jawad (a.s.) aos 11 anos de idade. Ele desfrutava da confiança do Imame e recebia dele algumas missões importantes.[16] Ibn Shahrashub também o considerou bab do Imame al-Jawad (a.s.).[17] Alguns estudiosos xiitas rejeitaram essa última opinião, considerando incompatível com a idade de Uthman que ele tivesse sido um dos companheiros do Imame al-Jawad (a.s.), e classificaram essa afirmação como um erro.[18]

Representação do Imame al-Hadi

Uthman ibn Sa'id estava entre os companheiros do Imame al-Hadi (a.s.), e há relatos que afirmam explicitamente que o Imame o designou como seu representante.[19] Em uma tradição transmitida por Ahmad ibn Ishaq al-Qummi, o Imame al-Hadi (a.s.) descreve Uthman ibn Sa'id como um homem digno de confiança e honesto, afirmando que tudo o que ele atribui ao Imame e transmite às pessoas provém do próprio Imame al-Hadi (a.s.).[20]

Representação do Imame Hassan al-Askari

Além de desfrutar da confiança do Imame al-Hadi (a.s.), Uthman também era digno da confiança do Imame Hassan al-Askari (a.s.).[21] Shaikh Tusi, em sua obra Al-Ghayba, transmitiu uma tradição segundo a qual tanto Uthman ibn Sa'id quanto seu filho, Muhammad ibn Uthman, eram considerados dignos de confiança pelo Imame Hassan al-Askari (a.s.). Segundo essa tradição, o Imame Hassan al-Askari (a.s.) declarou explicitamente: tudo o que eles transmitirem será da minha parte, e tudo o que disserem será de mim. Escutai-os e segui-os, pois são dignos de confiança e depositários da minha confiança.[22]

Shaikh Tusi, em sua obra Rijal, apresentou Uthman ibn Sa'id como representante do Imame Hassan al-Askari (a.s.).[23] Diversas tradições relatam que o Imame Hassan al-Askari (a.s.) se dirigiu a Uthman, reconhecendo-o como seu representante, e que, em outra ocasião, tomou os presentes como testemunhas de que Uthman ibn Sa'id era seu representante. O Imame o apresentou como chefe dos representantes, o que significava que todas as contribuições financeiras enviadas pelos xiitas por intermédio dos representantes chegavam a Uthman, que então as entregava ao Imame.[24]

Após o martírio do Imame Hassan al-Askari (a.s.), Uthman ibn Sa'id ficou encarregado dos rituais de lavagem, mortalha e sepultamento do Imame. Na concepção imamita, esses indícios atestam que ele era representante do Imame Mahdi (a.s.).[25]

Representação do Imame Mahdi

O Imame Hassan al-Askari (a.s.) declarou explicitamente que Uthman ibn Sa'id seria seu representante. Ele apresentou seu filho a quarenta de seus companheiros e comunicou-lhes que, durante o período da Ocultação do décimo segundo Imame, deveriam obedecer a Uthman.[26] Segundo outra tradição, o Imame Mahdi (a.s.), durante um encontro com os habitantes de Qom, fez referência à representação de Uthman ibn Sa'id e os encaminhou a ele.[27]

Trecho da carta de condolências do Imame a Muhammad ibn Uthman

“Teu pai viveu e faleceu com felicidade e bem-aventurança, em um estado digno de louvor e aprovação. Que Deus tenha misericórdia dele e o reúna a Seus amigos, senhores e devotos [...]. Que Deus mantenha seu rosto radiante, perdoe seus deslizes, aumente tua recompensa e tua retribuição e te conceda uma bela paciência diante dessa perda. Tu foste atingido por uma aflição, e nós também fomos atingidos por ela. A separação de teu pai deixou a ti e a nós apreensivos. Que Deus, por Sua misericórdia, lhe conceda alegria em seu repouso.”

Devido à severidade dos agentes do governo em Samarra e à presença de numerosos inimigos, Uthman ibn Sa'id mudou-se para Bagdá por ordem do Imame Mahdi (a.s.). Segundo Jasim Hussain, em sua obra História Política da Ocultação do Décimo Segundo Imame, embora Samarra fosse a capital, a presença das tropas da dinastia abássida, que sempre se opunham aos Imames, levou Uthman a transferir-se para Bagdá, pois pretendia dirigir a organização dos representantes longe dos olhares dessas tropas. Assim, estabeleceu o bairro xiita de Karkh como centro de organização dos imamitas.[28]

Durante o período em que exerceu a representação, Uthman liderava os representantes das diferentes regiões, recebia os depósitos, as contribuições financeiras e os presentes das pessoas e os enviava ao Imame. Além disso, entregava aos destinatários originais as cartas dos xiitas dirigidas ao Imame, bem como os escritos e os tawqi'at do Imame Mahdi em resposta aos xiitas.[29] Quando Ja'far, irmão do Imame Hassan al-Askari (a.s.), reivindicou a representação, Ahmad ibn Ishaq, um dos companheiros do Imame Hassan al-Askari (a.s.), escreveu uma carta para verificar a veracidade ou a falsidade da alegação de Ja'far e a enviou ao Imame Mahdi por intermédio de Uthman ibn Sa'id. Na resposta, o Imame rejeitou a reivindicação de Ja'far ao imamato, descrevendo-o como corruptor e alguém que abandonava a oração.[30]

Carta de condolências do Imame

Por ocasião do falecimento de Uthman ibn Sa'id, o Imame Mahdi (a.s.) escreveu uma carta a seu filho, Muhammad ibn Uthman, expressando-lhe suas condolências. Nessa carta, o décimo segundo Imame declarou sua plena satisfação com Uthman ibn Sa'id e pediu perdão para ele. O Imame Mahdi também expressou seu sentimento de solidão diante da ausência de Uthman ibn Sa'id e nomeou seu filho, Muhammad ibn Uthman, para sucedê-lo.[31]

Método de atuação

Uthman ibn Sa'id dedicava-se ao comércio de óleo e azeite, atividade que servia de disfarce para sua verdadeira função, pois ocultava suas responsabilidades como representante e procurador do Imame, a fim de se proteger das perseguições do governo. Uthman colocava os bens e as cartas dos xiitas em recipientes de óleo e os levava ao Imame, para que ninguém descobrisse sua existência nem seu conteúdo. Por esse motivo, também recebeu os títulos de al-Samman e al-Zayyat.[32]

Assistentes

Durante o período em que Uthman ibn Sa'id exerceu a representação especial, três representantes de destaque — Ahmad ibn Ishaq, Muhammad Qattan e Hajiz ibn Yazid al-Washsha — atuavam como seus assistentes. Eles eram responsáveis pela comunicação com os demais representantes nas diferentes regiões e pela supervisão de suas atividades, incluindo as dos representantes de Kufa.[33]

Ver também

Referências

  1. ↑ Jāsim Ḥussain, Tārīkh-i Siyāsī-yi Ghaybat-i Imām-i Duvāzdahum, pág. 142.
  2. ↑ Ṭūsī, Rijāl al-Ṭūsī, pág. 389.
  3. ↑ Jāsim Ḥussain, Tārīkh-i Siyāsī-yi Ghaybat-i Imām-i Duvāzdahum, pág. 149.
  4. ↑ Ibn Mashhadī, al-Mazār al-Kabīr, pág. 262.
  5. ↑ Ṭūsī, Ikhtiyār Maʿrifat al-Rijāl, pág. 813.
  6. ↑ Majlisī, Biḥār al-Anwār, vol. 99, pág. 293; Qummī, Safīnat al-Biḥār, vol. 6, pág. 145.
  7. ↑ Ṭūsī, al-Ghaybah, pág. 354.
  8. ↑ Qummī, Safīnat al-Biḥār, vol. 6, pág. 145.
  9. ↑ Ṭūsī, al-Ghaybah, pág. 354.
  10. ↑ Ṭūsī, al-Ghaybah, pág. 354.
  11. ↑ Ṣadr, Tārīkh al-Ghaybah, vol. 1, pág. 379.
  12. ↑ Ṭūsī, al-Ghaybah, pág. 232.
  13. ↑ Ṭūsī, al-Ghaybah, pág. 232.
  14. ↑ https://rch.ac.ir/article/Details?id=13981, Dāʾirat al-Maʿārif-i Jahān-i Islām.
  15. ↑ Grupo de autores, Rāh-Tūshah-yi ʿAtabāt-i ʿĀliyāt, pág. 367.
  16. ↑ Jāsim Ḥussain, Tārīkh-i Siyāsī-yi Ghaybat-i Imām-i Duvāzdahum, pág. 142.
  17. ↑ Ibn Shahrāshūb, al-Manāqib, vol. 4, pág. 380.
  18. ↑ Shūshtarī, Qāmūs al-Rijāl, vol. 2, pág. 249.
  19. ↑ Ṭūsī, Rijāl al-Ṭūsī, pág. 389.
  20. ↑ Majlisī, Biḥār al-Anwār, vol. 51, pág. 344.
  21. ↑ Ṭūsī, al-Ghaybah, págs. 229–231.
  22. ↑ Ṭūsī, al-Ghaybah, pág. 243.
  23. ↑ Ṭūsī, Rijāl al-Ṭūsī, pág. 401.
  24. ↑ Majlisī, Biḥār al-Anwār, vol. 50, pág. 323.
  25. ↑ Ṭūsī, al-Ghaybah, págs. 231 e 356.
  26. ↑ Ṭūsī, al-Ghaybah, págs. 231–232; Ṣadūq, Kamāl al-Dīn, pág. 435.
  27. ↑ Ṣadūq, Kamāl al-Dīn, vol. 2, pág. 476.
  28. ↑ Jāsim Ḥussain, Tārīkh-i Siyāsī-yi Ghaybat-i Imām-i Duvāzdahum, pág. 149.
  29. ↑ Rāh-Tūshah-yi ʿAtabāt-i ʿĀliyāt, pág. 364.
  30. ↑ Ṭabrisī, al-Iḥtijāj, vol. 2, pág. 468.
  31. ↑ Ṭūsī, al-Ghaybah, pág. 361.
  32. ↑ Ṭūsī, al-Ghaybah, pág. 354.
  33. ↑ Jabbārī, Sāzmān-i Wikālat, vol. 1, pág. 82.

Bibliografia

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  • Ṭūsī, Muḥammad ibn Ḥassan, Rijāl al-Ṭūsī, Qom, Comunidade dos Professores do Seminário Teológico de Qom, 1415 H.
  • Ṭūsī, Muḥammad ibn Ḥassan, al-Ghaybah, Qom, Instituto al-Maʿārif al-Islāmīyah, 1411 H.