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Rascunho:A fala de Deus com Moisés

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A Fala de Deus com Moisés refere-se ao diálogo entre Deus e o Profeta Moisés (a.s.), que, segundo a tradição, ocorreu de forma direta e sem a mediação de um anjo. Essa fala direta e sem intermediário é considerada exclusiva de Moisés (a.s.) e uma virtude particular sua. Em alguns versículos do Alcorão, como o versículo 164 da Surata al-Nissá, há referência explícita a essa fala. O título KalimAllah (Aquele com quem Deus falou) é atribuído especificamente a Moisés (a.s.), e por isso os judeus passaram a ser chamados “kalimí” (seguidores de Moisés, o Kalim Allah).

Alguns estudiosos xiitas, como o Shaikh Tussi, defendem que a fala de Deus com Moisés (a.s.) foi um acontecimento real. Nas narrações, afirma-se que essa fala ocorreu sem necessidade de boca e língua. Existem diferentes opiniões sobre a forma como isso ocorreu: alguns exegetas xiitas entendem que Deus criou ondas sonoras e palavras no espaço ou em certos corpos. Outros defendem que Deus não explicou como essa fala se deu e que não é possível deduzir, a partir das expressões do Alcorão, a sua modalidade.

Alguns estudiosos muçulmanos acreditam que, além de Moisés (a.s.), Deus falou sem intermediário com o Profeta Muhammad (s.a.a.s.).

O título Kalim Allah de Moisés (a.s.)

Com base no versículo 164 da Surata al-Nissá’, Deus falou com Moisés (a.s.): «E Deus falou a Moisés diretamente.».[1] No versículo 144 da Surata al-A‘raf também é mencionada a fala de Deus com Moisés.[2] Esse tipo de diálogo foi considerado por alguns estudiosos muçulmanos[3] e também por judeus[4] como exclusivo de Moisés (a.s.) e uma virtude particular sua.[5]

O atributo KalimAllah é mencionado como exclusivo de Moisés (a.s.),[6] e afirma-se que, por essa razão, os judeus passaram a ser chamados “kalimí”.[7] Alguns estudiosos muçulmanos acreditam que Deus também falou com o Profeta Muhammad (s.a.a.s.) durante o Mi‘raj (Ascensão do Profeta aos céus), e que as narrações indicam essa fala.[8] Segundo esses estudiosos, a fala direta e sem intermediário com Deus foi exclusiva do Profeta Muhammad (s.a.a.s.) e de Moisés (a.s.).[9]

A fala de Deus é entendida como uma fala sem corporeidade, pois falar com língua e cordas vocais é sinal de possuir corpo, enquanto Deus não possui corpo.[10] O Imam Ali ibn Abi Talib (a.s.), em uma declaração, descreveu a fala de Deus com Moisés (a.s.) como uma fala sem necessidade de membros e órgãos materiais.[11] O Imam Rida (a.s.) também afirmou que a fala de Deus ocorre sem necessidade de boca e língua, sendo diferente da fala das criaturas entre si.[12]

A fala real e sem intermediário

Segundo muitos estudiosos muçulmanos, o diálogo de Deus com Moisés (a.s.) foi direto[13] e sem a mediação de um anjo.[14] Tabrisi, autor do tafsir Majma‘ al-Bayan (Compêndio da explicação do Alcorão), ao diferenciar a fala de Deus com Moisés da fala com outros profetas, afirmou que Deus falou com Moisés (a.s.) sem intermediário.[15] Nesse tipo de diálogo, a fala chega ao destinatário, mas o emissor não é visto, pois há um véu ou obstáculo que impede a visão de quem fala.[16]

Shaikh Tussi considerou a fala de Deus com Moisés (a.s.) como real.[17] Alguns exegetas entendem que a ênfase da palavra «تَکْلیماً» (takliman: ênfase verbal que indica ação real e efetiva) no versículo «E Deus falou a Moisés diretamente.»[18] é uma prova da realidade dessa fala, não permitindo que seja interpretada em sentido figurado.[19] Segundo Allama Tabataba’i, autor do tafsir al-Mizan, a fala de Deus com Moisés foi real e produziu o efeito próprio de uma fala comum, como transmitir um significado ao interlocutor, mas não ocorreu por meio de língua e garganta.[20]

Como ocorreu a fala de Deus com Moisés

Makarim Shirazi, estudioso e exegeta xiita, sustenta que a fala de Deus com Moisés (a.s.) ocorreu por meio da criação de ondas sonoras no espaço ou em certos corpos.[21] Shaikh Tussi também escreveu que Deus cria a fala em um corpo entre os corpos para transmitir Sua intenção às criaturas.[22] Outros exegetas relataram igualmente que Deus criou o som e a fala, e Moisés (a.s.) a ouviu.[23]

Em contrapartida, Allama Tabataba’i sustenta que Deus não explicou como Sua fala ocorreu e que não podemos deduzir isso a partir das expressões do Alcorão.[24] Muhammad Jawad Mughniyya, outro exegeta xiita, também afirma que Deus permaneceu em silêncio quanto ao modo de Sua fala e não o explicou; por isso, também devemos permanecer em silêncio quanto à sua natureza.[25]

Referências

  1. Alcorão, 4:164.
  2. Ṭayyib, Aṭyab al-Bayān, vol. 5, pág. 453.
  3. Shaikh Ṭūsī, al-Tibyān, vol. 3, pág. 394; Fakhr al-Rāzī, al-Tafsīr al-Kabīr, vol. 11, pág. 267.
  4. «لقب حضرت موسی به فارسی چه می‌باشد و نبوت ایشان چگونه بود؟»
  5. Qurashī, Tafsīr Aḥsan al-Ḥadīth, vol. 1, pág. 470; Rashīd Riḍā, al-Manār, vol. 3, pág. 4.
  6. Faḍl Allāh, Tafsīr min Waḥy al-Qurʾān, vol. 20, pág. 202.
  7. «لقب حضرت موسی به فارسی چه می‌باشد و نبوت ایشان چگونه بود؟»
  8. Bānū Amīn, Makhzan al-ʿIrfān dar Tafsīr Qurʾān, vol. 2, pág. 379.
  9. Burūjirdī, Tafsīr Jāmiʿ, vol. 2, pág. 462.
  10. Makārim Shīrāzī, Yik Ṣad va Hashtād Pursish va Pāsukh, pág. 75.
  11. Shaikh Ṣadūq, al-Tawḥīd, pág. 79.
  12. Majlisī, Biḥār al-Anwār, vol. 4, pág. 152.
  13. Mughniyah, Tafsīr al-Kāshif, vol. 2, pág. 495.
  14. Ṭayyib, Aṭyab al-Bayān, vol. 5, pág. 452.
  15. Ṭabrisī, Majmaʿ al-Bayān, vol. 3, pág. 218.
  16. Faḍl Allāh, Tafsīr min Waḥy al-Qurʾān, vol. 20, pág. 202.
  17. Shaikh Ṭūsī, al-Tibyān, Beirute, vol. 3, pág. 240.
  18. Alcorão, 4:164.
  19. Qurṭubī, al-Jāmiʿ li-Aḥkām al-Qurʾān, vol. 6, pág. 18.
  20. Ṭabāṭabāʾī, al-Mīzān, vol. 2, págs. 315 e 316.
  21. Makārim Shīrāzī, Tafsīr Namūnah, vol. 6, pág. 363.
  22. Shaikh Ṭūsī, al-Rasāʾil al-ʿAshr, pág. 95.
  23. Ḥusaynī Shīrāzī, Tabyīn al-Qurʾān, pág. 115.
  24. Ṭabāṭabāʾī, al-Mīzān, vol. 2, pág. 316.
  25. Mughniyah, Tafsīr al-Kāshif, vol. 2, pág. 495.

Bibliografia

  • Burūjirdī, Sayyid Muḥammad Ibrāhīm, Tafsīr Jāmiʿ, Teerã, Ṣadr, 6ª edição, 1366 Sh.
  • Bānū Amīn, Makhzan al-ʿIrfān dar Tafsīr-i Qurʾān, Teerã, Nahḍat-i Zanān-i Muslimān, 1361 Sh.
  • Ḥussainī Shāh ʿAbd al-ʿAẓīmī, Ḥussain ibn Aḥmad, Tafsīr Ithnā ʿAsharī, Teerã, Mīqāt, 1ª edição, 1363 Sh.
  • Ḥussainī Shīrāzī, Sayyid Muḥammad, Tabyīn al-Qurʾān, Beirute, Dar al-ʿUlūm, 2ª edição, 1423 AH.
  • Fakhr al-Dīn al-Rāzī, Muḥammad ibn ʿUmar, Al-Tafsīr al-Kabīr (Mafātīḥ al-Ghayb), Beirute, Dar Iḥyāʾ al-Turāth al-ʿArabī, 3ª edição, 1420 AH.
  • Faḍl Allāh, Sayyid Muḥammad Ḥussain, Tafsīr Min Waḥy al-Qurʾān, Beirute, Dar al-Malāk li-l-Ṭibāʿa wa al-Nashr, 2ª edição, 1419 AH.
  • Ibn Kathīr, Ismāʿīl ibn ʿAmr, Tafsīr al-Qurʾān al-ʿAẓīm, Pesquisa de Muḥammad Ḥussain Shams al-Dīn, Dar al-Kutub al-ʿIlmiyya, Beirute, Editor Muḥammad ʿAlī Bayḍūn, 1ª edição, 1419 AH.
  • Ibn Qayyim al-Jawziyya, Ḥādī al-Arwāḥ ilā Bilād al-Afrāḥ, Beirute, ʿĀlam al-Kutub, [s.d].
  • Majlisī, Muḥammad Bāqir, Biḥār al-Anwār, Beirute, Dar Iḥyāʾ al-Turāth al-ʿArabī, 2ª edição, 1403 AH.
  • Makārim Shīrāzī, Nāṣir, Tafsīr-i Namūna, Teerã, Dar al-Kutub al-Islāmiyya, 1ª edição, 1374 Sh.
  • Makārim Shīrāzī, Nāṣir, Yik Ṣad wa Hashtād Pursish wa Pāsukh, Teerã, Dar al-Kutub al-Islāmiyya, 1386 Sh.
  • Mughniya, Muḥammad Jawād, Tafsīr al-Kāshif, Teerã, Dar al-Kutub al-Islāmiyya, 1ª edição, 1424 AH.
  • Qurṭubī, Muḥammad ibn Aḥmad, Al-Jāmiʿ li-Aḥkām al-Qurʾān, Teerã, Editora Nāṣir Khusraw, 1ª edição, 1364 Sh.
  • Rashīd Riḍā, Tafsīr al-Manār, Egito, al-Hayʾa al-Miṣriyya al-ʿĀmma li-l-Kitāb, 1990.
  • Shaikh Ṣadūq, Muḥammad ibn ʿAlī, Al-Tawḥīd, Pesquisa e correção de Hāshim Ḥussainī, Qom, Escritório de Publicações Islâmicas, 1ª edição, 1398 AH.
  • Shaikh Ṭūsī, Muḥammad ibn Ḥassan, Al-Rasāʾil al-ʿAshar, Qom, Escritório de Publicações Islâmicas, 2ª edição, 1414 AH.
  • Shaikh Ṭūsī, Muḥammad ibn Ḥassan, Al-Tibyān fī Tafsīr al-Qurʾān, introdução de Shaikh Āqā Buzurg Tihrānī, pesquisa de Aḥmad Qāṣir al-ʿĀmilī, Beirute, Dar Iḥyāʾ al-Turāth al-ʿArabī, s.d.
  • «لقب‌حضرت موسی به فارسی چه می‌باشد و نبوت ایشان چگونه بود؟» (Qual é o título de Moisés em persa e como foi sua profecia?), Associação Judaica de Teerã, acessado em 8 de novembro de 2021.
  • Ṭabarsī, Faḍl ibn Ḥassan, Majmaʿ al-Bayān fī Tafsīr al-Qurʾān, Teerã, Nāṣir Khusraw, 3ª edição, 1372 Sh.
  • Ṭabāṭabāʾī, Sayyid Muḥammad Ḥussain, Al-Mīzān fī Tafsīr al-Qurʾān, Qom, Escritório de Publicações Islâmicas, 5ª edição, 1417 AH.
  • Ṭayyib, Sayyid ʿAbd al-Ḥussain, Aṭyab al-Bayān fī Tafsīr al-Qurʾān, Teerã, Editora Islām, 2ª edição, 1378 Sh.