Rascunho:Hadith da Wilāyah
| Tema | comprovar o Imamato e Wilaya de Ali ibn Abi Talib (a.s.) |
|---|---|
| Atribuído a | Profeta Muhammad (s.a.a.s.) |
| Narrador Principal | Imran bin Hasin |
| Fontes xiitas | Kashf al-ghumma |
| Fontes sunitas | Sahih al-Tirmidhi • Musnad Ahmad ibn Hanbal • Musnad Abi Dawud e ... |
O Hadith da Wilaya (em árabe: حديث الولاية) é um hadith do Profeta Muhammad(s.a.a.s.) e um dos argumentos dos xiitas para comprovar o Imamato de Ali ibn Abi Talib(a.s.). Esse hadith foi transmitido com diferentes formulações em fontes xiitas e sunitas, sendo uma das mais conhecidas a expressão: «هُوَ وَلِيُّ كُلِّ مُؤْمِنٍ بَعْدِي؛ Ele [Ali] é o wali de todo crente depois de mim».
Os xiitas entendem o termo "wali" neste hadith com o significado de Imam e detentor da autoridade (líder e guardião), utilizando-o para demonstrar o Imamato e a Wilaya do Imam Ali (a.s.). Eles sustentam que wali, do ponto de vista linguístico, possui exatamente esse significado e que, em diversos contextos, foi empregado nesse sentido por Shaikhayn, Companheiros, Tabi‘in e por alguns sábios sunitas. Já os sunitas alegam que o termo significa apenas amigo ou auxiliador e que não possui relação com a questão da Wilaya e do Imamato de Ali ibn Abi Talib (a.s.).
Texto do hadith
Ja‘far ibn Sulayman narrou de Imran ibn Hasin que o Mensageiro de Deus (s.a.a.s.) enviou um grupo para uma expedição militar e nomeou Ali ibn Abi Talib (a.s.) como seu comandante. Eles obtiveram despojos de guerra, e Ali (a.s.) os distribuiu de uma forma que não agradou a alguns deles. Quatro homens combinaram entre si que, ao encontrarem o Profeta (s.a.a.s.), relatariam a ele a atitude de Ali (a.s.). Quando chegaram à presença do Profeta (s.a.a.s.), um após o outro disseram: “Ó Mensageiro de Deus, sabes que Ali fez tal coisa?”. O Mensageiro de Deus, com sinais de ira em seu rosto, disse: “O que quereis de Ali? O que quereis de Ali? Ali é de mim e eu sou de Ali, e Ali, depois de mim, é o wali de todo crente.”.[1]
Transmissões variadas
O Hadith da Wilaya foi transmitido com diferentes expressões nas fontes xiitas e sunitas, entre elas:
«علي ولي كل مؤمن بعدي»" (Ali é o protetor de todo crente depois de mim)[2]
«هو ولي كل مؤمن بعدي»." (Ele é o protetor de todo crente depois de mim)[3]
«أنت ولي كل مؤمن بعدي». (Tu és o protetor de todo crente depois de mim)[4]
«أنت ولي كل مؤمن بعدي ومؤمنة»." (Tu és o protetor de todo crente e crenta depois de mim)[5]
«أنت وليي في كل مؤمن بعدي»." (Tu és meu representante sobre todo crente depois de mim)[6]
«فإنه وليكم بعدي»." (Porque ele será vosso protetor depois de mim)[7]
«إن عليًا وليكم بعدي»." (Em verdade, Ali é vosso protetor depois de mim)[8]
«هذا وليكم بعدي»." (Este é vosso protetor depois de mim)[9]
«إنك ولي المؤمنين من بعدي»." (Tu és o protetor dos crentes depois de mim)[10]
«وأنت وليي في كل مؤمن بعدي»." (E tu és meu sucessor sobre todo crente depois de mim)[11]
«وأنت خليفتي في كل مؤمن من بعدي»." (E tu és meu Califa sobre todo crente depois de mim)[12]
«فهو أولى الناس بكم بعدي»." (Ele é a pessoa com mais direito sobre vós depois de mim)[13]
Conteúdo
Segundo os xiitas, o conteúdo do Hadith da Wilaya refere-se claramente à questão do Imamato e da Wilaya do Imam Ali ibn Abi Talib (a.s.).[14] Eles interpretam o termo wali como significando guardião, Imam, líder e sucessor.[15] Os sunitas, por outro lado, afirmam que esse hadith não indica a sucessão de Ali ibn Abi Talib (a.s.), pois alegam que wali significa amizade e auxílio.[16] Os xiitas argumentam que wali, em sua acepção linguística, significa guardião, líder, sucessor, detentor de autoridade e Imam, e que, no início do Islã e posteriormente, esse termo foi amplamente utilizado com o significado de califa e governante. Eles também citam o uso desse termo pelo primeiro califa,[17] pelo segundo califa,[18] pelos Companheiros,[19] pelos Tabi‘in[20] e por alguns sábios sunitas[21] com o significado de autoridade e liderança.[Nota 1]
Credibilidade
‘Abd al-Qadir al-Baghdadi e Ibn Hajar al-‘Asqalani afirmaram que o Hadith da Wilaya foi transmitido por Tirmidhi com uma cadeia de transmissão forte a partir de ‘Imran ibn Hussain.[22] Muttaqi al-Hindi também o considerou autêntico.[23] Hakim al-Nayshaburi o classificou como um hadith de cadeia autêntica que Bukhari e Muslim não incluíram em seus Sahihayn.[24] Da mesma forma, Shams al-Din al-Dhahabi e Nasir al-Din al-Albani consideraram esse hadith autêntico.[25]
Fontes
O Hadith da Wilaya consta em obras como: Sahih al-Tirmidhi, Musnad Ahmad ibn Hanbal,[26] Jami‘ al-Ahadith de al-Suyuti,[27] Kanz al-‘Ummal,[28] Musnad Abi Dawud,[29] Fada’il al-Sahabah,[30] al-Ahad wa al-Mathani,[31] Sunan al-Nasa’i,[32] Musnad Abi Ya‘la,[33] Sahih Ibn Habban,[34] al-Mu‘jam al-Kabir de al-Tabarani,[35] Tarikh Madinat Dimashq,[36] al-Bidayah wa al-Nihayah,[37] al-Isabah,[38] al-Jawharah fi Nasab al-Imam Ali wa Alih,[39] Khizanat al-Adab wa Lubb Lubab Lisan al-‘Arab,[40] al-Ghadir,[41] al-Isti‘ab,[42] e Kashf al-Ghumma.[43]
Análises das cadeias de transmissão
Al-Mubarakfuri alegou que a expressão «بعدي» (depois de mim), ausente em algumas versões do Hadith da Wilaya, teria sido acrescentada por narradores xiitas. Para sustentar sua afirmação, ele se baseou no Musnad de Ahmad ibn Hanbal, alegando que, apesar das múltiplas cadeias ali registradas, nenhuma conteria esse acréscimo.[44] No entanto, Ahmad ibn Hanbal transmitiu esse hadith tanto em seu Musnad[45] quanto em Fada’il al-Sahabah com a inclusão da expressão «بعدي».[46]
Al-Mubarakfuri (Abu al-‘Ala Muhammad ibn ‘Abd al-Rahman, 1283–1353H) também afirmou que o hadith foi narrado apenas por Ja‘far ibn Sulayman e Ibn Ajlah al-Kindi, cujas narrações não seriam aceitáveis por serem xiitas. Ele considerava os xiitas como inovadores (ahl al-bid‘ah) e defendia que, se um inovador transmitisse um hadith que reforçasse sua própria doutrina, sua narração não deveria ser aceita.[47] Contudo, segundo al-Albani, o critério fundamental de aceitação de um hadith entre os sunitas é a veracidade e a precisão do narrador, e não sua filiação doutrinária. Por essa razão, Bukhari e Muslim transmitiram em seus Sahihayn hadiths de narradores cujas crenças divergiam do sunismo, como kharijitas e xiitas.[48]
Al-Albani (Muhammad Nasir al-Din, 1914–1999) afirmou que esse hadith foi transmitido em fontes sunitas por outras cadeias nas quais não há narradores xiitas.[49] Sayyid Ali Milani declarou que o hadith foi narrado por doze Companheiros,[50] entre eles o Imam Ali ibn Abi Talib (a.s.), o Imam Hassan (a.s.), Abu Dharr, Abu Sa‘id al-Khudri e al-Bara’ ibn ‘Azib,[51] sendo que a maioria das transmissões remonta a ‘Imran ibn Hussain, Ibn ‘Abbas e Buraydah ibn Husayb.[52]
Ja‘far ibn Sulayman é um dos narradores do Sahih Muslim,[53] e al-Dhahabi referiu-se a ele com o título de Imam.[54] Também foi relatado de Yahya ibn Ma‘in que o considerava confiável (thiqa).[55] Al-Albani o descreveu como um narrador digno de confiança, possuidor de narrativas sólidas e rigorosas, inclinado ao Ahl al-Bait, mas que não convidava outros à sua escola. Ele afirmou que não há divergência entre os nossos imames quanto à validade de aceitar o hadith de um inovador que seja veraz, desde que não convoque outros à sua inovação.[56]
Alguns sábios sunitas também consideraram Ibn Ajlah confiável (Thiqa) e classificaram seu hadith como hasan.[57] Al-Albani considerou o hadith de Ibn Ajlah como corroborador da autenticidade da narração de Ja‘far ibn Sulayman.[58]
Al-Mubarakfuri afirmou que Ibn Taymiyyah considerava essa narração uma falsidade atribuída ao Mensageiro de Deus.[59] Al-Albani expressou surpresa diante da negação desse hadith por Ibn Taymiyyah.[60]
Ver também
Referências
- ↑ Ibn Abī Shayba, al-Muṣannaf, vol. 8, pág. 58; Tiālasī, Musnad Abī Dāwūd, pág. 111.
- ↑ Ibn Abī Shayba, al-Muṣannaf, vol. 8, pág. 504; Nisāʾī, al-Sunan al-Kubrā, vol. 5, pág. 132.
- ↑ Tiālasī, Musnad Abī Dāwūd, pág. 111; Ibn Ḥanbal, Masnad, vol. 4, pág. 437.
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- ↑ Nisāʾī, al-Sunan al-Kubrā, vol. 5, pág. 133.
- ↑ Khaṭīb al-Baghdādī, Tārīkh Baghdād, vol. 4, pág. 338.
- ↑ Ibn Ḥanbal, Masnad, vol. 1, pág. 330.
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- ↑ Ṭabarānī, al-Muʿjam al-kabīr, vol. 22, pág. 135.
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- ↑ Balādhurī, Ansāb al-ashrāf, vol. 1, pág. 590; Ṭabarī, Tārīkh al-umam wa l-mulūk, vol. 4, pág. 214; Ibn Kathīr, al-Bidāya wa l-nihāya, vol. 7, pág. 79.
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- ↑ Ḥākim Nayshābūrī, al-Mustadrak, vol. 3, pág. 134.
- ↑ Albānī, al-Silsilat al-Ṣaḥīḥa, vol. 5, pág. 263.
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- ↑ Ṭabarānī, Al-Muʿjam al-kabīr, vol. 12, pág. 78.
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- ↑ Tilmisānī, Al-Jawhara, vol. 1, pág. 65.
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- ↑ Irbili, Kashf al-ghumma, pág. 177.
- ↑ Al-Mubārakfurī, Tuḥfat al-aḥwadhī, vol. 10, pág. 146-147.
- ↑ Ibn Ḥanbal, Masnad, vol. 4, pág. 330; vol. 4, pág. 437.
- ↑ Ibn Ḥanbal, Faḍāʾil al-Ṣaḥāba, vol. 2, pág. 684.
- ↑ Al-Mubārakfurī, Tuḥfat al-aḥwadhī, vol. 10, pág. 146-147.
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- ↑ Site de Sayyid ʿAlī al-Mīlānī, Matn Ḥadīth al-Wilāyah wa-Taṣḥīḥ Asānīdih.
- ↑ Mīlānī, Tashyīd al-murājiʿāt, vol. 3, pág. 238.
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- ↑ Dhahabī, Siyar iʿlām al-nubalāʾ, vol. 8, pág. 200; Nayshābūrī, Saḥīḥ Muslim, vol. 1, pág. 77.
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- ↑ Dhahabī, Siyar iʿlām al-nubalāʾ, vol. 8, pág. 198.
- ↑ Albānī, al-Silsilat al-ṣaḥīḥa, vol. 5, pág. 263.
- ↑ Manāwī, Fayḍ al-qadīr, vol. 4, pág. 471.
- ↑ Albānī, Al-Silsilat al-ṣaḥīḥa, vol. 5, pág. 263.
- ↑ Mubārakfurī, Tuḥfat al-aḥwadhī, vol. 10, pág. 147.
- ↑ Albānī, Al-Silsilat al-ṣaḥīḥa, vol. 5, pág. 263.
Notas
- ↑ Segundo um relato transmitido do segundo califa em Sahih Muslim, Abu Bakr e Umar consideravam-se wali e califa do Profeta. (Muslim, Sahih Muslim, Dar al-Fikr, vol. 5, Kitab al-Jihad wa al-Siyar, Bab Hukm al-Fayʾ, pág. 152.) Nos sermões que Abu Bakr dirigia aos Companheiros, apresentava-se como wali e wali al-amr dos muçulmanos. (Al-Baladhuri, Ansab al-Ashraf, 1959, vol. 1, pág. 590; Al-Tabari, Tarikh al-Umam wa al-Muluk, 1967, vol. 3, pág. 211; Ibn Kathir, Al-Bidaya wa al-Nihaya, 1986, vol. 5, pág. 248; Ibn Sa'd, Al-Tabaqat al-Kubra, 1989, vol. 3, pág. 159; Ibn al-Jawzi, Al-Muntazam, 1991, vol. 4, pág. 68.) Segundo o Sermão de Ghadir do Profeta (que a paz esteja com ele), quem se opõe à wilaya do Imam Ali (que a paz esteja com ele) está sujeito à maldição divina: «Waʿlamū anna Allāha qad naṣabahu lakum waliyyan». Abu Bakr também utilizou o termo wali ao designar o segundo califa. (Al-Maqdisi, Al-Badʾ wa al-Tarikh, Maktabat al-Thaqafiyya al-Diniyya, vol. 5, pág. 168.) Os Companheiros, na objeção que fizeram à nomeação do segundo califa por Abu Bakr, empregaram lado a lado os termos wali e khalaf. (Ibn Abi Shayba, Al-Musannaf, 1988, vol. 8, pág. 574.) O segundo califa, em seus sermões, apresentava-se como wali e wali al-amr dos muçulmanos. (Al-Baladhuri, Ansab al-Ashraf, 1996, vol. 10, pág. 363; Al-Tabari, Tarikh al-Umam wa al-Muluk, 1967, vol. 4, pp. 65, 214; Ibn Kathir, Al-Bidaya wa al-Nihaya, 1986, vol. 7, pág. 79.) Na recomendação que lhe é atribuída e dirigida ao Imam Ali, empregou a palavra wali no sentido de califado. (Al-Baladhuri, Ansab al-Ashraf, 1996, vol. 10, pág. 419; Ibn Sa'd, Al-Tabaqat al-Kubra, 1989, vol. 3, pág. 260.) Em uma carta dirigida aos habitantes de Basra, Umar escreveu que havia nomeado Abu Musa al-Ash'ari como vosso wali. (Ibn Kathir, Al-Bidaya wa al-Nihaya, 1986, vol. 7, pág. 82.) Mu'awiya também escreveu aos habitantes de Basra que havia nomeado Ibn Ziyad como vosso wali. (Ibn Kathir, Al-Bidaya wa al-Nihaya, 1986, vol. 7, pág. 82.) Abd al-Malik ibn Marwan empregou o termo wali em referência a Umar e Uthman. (Al-Mas'udi, Muruj al-Dhahab, 1988, vol. 3, pág. 122.) Ibn Sa'd, em um debate que relata entre xiitas e sunitas, afirma que a expressão mais eloquente para comprovar o califado de uma pessoa é «waliyyukum Allah min baʿdi» e que, se o Profeta tivesse pretendido designar o Imam Ali como seu sucessor, deveria ter empregado o termo wali, e não o termo mawla. (Ibn Sa'd, Al-Tabaqat al-Kubra, 1989, vol. 5, pág. 245.)
Bibliografia
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- Ṭabarī, Muḥammad b. Jarīr. Tārīkh al-umam wa l-mulūk. Editado por Muḥammad Abu al-Faḍl Ibrāhīm. Beirut: Editora Dār al-Turāth, 1387 AH.