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Rascunho:A Transcrição do Alcorão

Fonte: wikishia

A transcrição do Alcorão, (em árabe: كتابة القرآن), refere-se ao processo de escrita e compilação do livro sagrado. Essa prática foi fundamental para a sua preservação contra adulterações e foi enfaticamente incentivada pelo Profeta Muhammad (s.a.a.s.), que encarregou alguns companheiros, como o Imam Ali ibn Abi Talib e Zaid ibn Sabit, de registrar os versículos. Os primeiros manuscritos do Alcorão, conhecidos como muṣḥaf, foram compilados por indivíduos como Ali ibn Abi Talib, Zaid ibn Sabit, Abdullah ibn Mas'ud e Ubayy ibn Ka'b. No entanto, a existência de múltiplas versões e variações gerou divergências entre os muçulmanos. Para resolver esse problema, o terceiro califa dos sunitas, Usman ibn Affan, formou um comitê para padronizar o texto, resultando em uma única versão oficial do Alcorão. Essa compilação foi endossada pelos Imames xiitas subsequentes.

Nos primórdios do Islã, o Alcorão era escrito em um estilo rudimentar que carecia de sinais vocálicos e pontos diacríticos, o que levava a erros de leitura. Por isso, figuras como Abu al-Aswad al-Du'ali, Nasr ibn Asṣim e Khalil ibn Ahmad al-Farahidi introduziram pontos e sinais vocálicos (ʾiʿrab), bem como outras marcações, para facilitar a leitura correta do texto.

A transcrição do Alcorão transcendeu a mera escrita para se manifestar em diversas formas de arte. Os muçulmanos se dedicaram a aprimorar a estética do livro sagrado por meio da caligrafia, da iluminação (tazhib), do design de páginas e da encadernação. Nesse processo, novos estilos de caligrafia foram criados para embelezar o texto, incluindo o Thuluth, o Naskh, o Rayḥan e o Nastaʿliq.

Status

A transcrição do Alcorão é um dos temas centrais das ciências corânicas (ulum al-Qurʾan),[1] que abordam a história e os métodos de sua escrita e compilação.[2] A escrita do Alcorão é considerada um dos principais fatores para sua preservação contra qualquer tipo de alteração, e por isso o Profeta Muhammad (s.a.a.s.) a enfatizava.[3]

A forma de escrita do Alcorão é um fator importante na compreensão do significado dos versículos. Pesquisadores afirmam que a natureza rudimentar da escrita nos primeiros anos do Islã contribuiu para que alguns versículos tivessem múltiplas interpretações.[4]

De acordo com estudiosos, a arte da escrita no mundo islâmico começou com a transcrição do Alcorão. A estreita ligação entre a caligrafia e a escrita do Alcorão elevou a importância da caligrafia no Islã,[5] pois o Alcorão, sendo o milagre do Profeta Muhammad (s.a.a.s.), tinha sua leitura e transcrição vistas como um dever sagrado.[6]

História da transcrição do Alcorão

No início do Islã, a escrita não era comum entre os árabes do Hijaaz, com menos de vinte pessoas alfabetizadas. Por isso, o Profeta (s.a.a.s.) encarregou essas poucas pessoas de registrar a revelação e incentivou os muçulmanos a aprenderem a ler e escrever.[7] Além de memorizar o Alcorão, o Profeta Muhammad (s.a.a.s.) também se dedicava à sua transcrição. Ele incumbiu companheiros como Ali ibn Abi Talib e Zaid ibn Sabit de escrever os versículos.[8] Eles usavam diversos materiais, como peles de animais, folhas de tamareira, ossos de animais e até mesmo papel.[9]

O Alcorão na caligrafia atribuída ao Imam Ali (a.s.)

O bibliógrafo do século IV da Hégira, Ibn al-Nadim, em seu livro al-Fihrist, identifica o muṣḥaf (manuscrito do Alcorão) de Imam Ali como o primeiro a ser compilado por completo.[10] Após o falecimento do Profeta Muhammad, o Imam Ali reuniu o Alcorão em um único muṣḥaf, organizando os versículos de acordo com a ordem de sua revelação. Ele apresentou o manuscrito aos muçulmanos,[11] mas alguns o rejeitaram. Por essa razão, o Imam o retirou de circulação pública.[12]

Após a morte do Profeta Muhammad (s.a.a.s.) e a recusa do muṣḥaf de Imam Ali, outros companheiros também se dedicaram à compilação do Alcorão. Entre eles estavam Abdullah ibn Mas'ud, Ubayy ibn Ka'b, Miqdad ibn al-Aswad, Salim Mawla Abi Huzaifa, Mu'azs ibn Jabal e Abu Mussa al-Ash'ari.[13]

"Imagem de uma cópia do Alcorão no Egito, que se afirma ser de um dos Mushafs de Uthman."

Os companheiros do Profeta Muhammad (s.a.a.s.) haviam compilado diferentes manuscritos do Alcorão (muṣḥafs), cada um com suas particularidades. A divergência entre esses manuscritos (muṣḥafs) e suas leituras resultou em desentendimentos entre as pessoas.[14] O terceiro califa dos sunitas, Usman, decidiu padronizar o texto.[15] Para isso, ele formou um comitê de doze companheiros, incluindo Zaid ibn Sabit, Abdullah ibn al-Zubair e Abdullah ibn Abbas, sob a liderança de Ubayy ibn Ka'b, para compilar a versão final.[16] A compilação de Usman foi aprovada pelo Imam Ali, que a utilizou e a defendeu após se tornar califa.[17] Após o Imam Ali, os imames subsequentes também endossaram o muṣḥaf de Usman e incentivaram sua preservação.[18]

O florescimento da transcrição do Alcorão

Na era Safávida, no Irã, e no período Otomano, na Turquia, a transcrição do Alcorão floresceu.[19] Inicialmente, os Alcorões eram escritos em volumes de quatro, quinze, trinta ou sessenta partes, mas gradualmente se tornou comum transcrevê-los em volumes completos.[20] Com a popularização da imprensa, os Alcorões impressos se tornaram comuns, e a tradição de transcrever o Alcorão à mão diminuiu.[21]

Rasm al-Muṣḥaf

Rasm al-muṣḥaf refere-se à ortografia específica do muṣḥaf de Usman, na qual certas palavras são escritas de maneira diferente das regras gramaticais comuns do árabe.[22] Como exemplos, podemos citar: • A palavra "oração" é grafada como "الصلوٰة" (al-ṣalát) em vez de "الصلاة".[23] • O nome "Abraão" é escrito como "ابرٰهــٖم" (ʾIbrāhīm) em vez de "ابراهیم".[24]

A rasm al-muṣḥaf segue seis regras principais que diferem das normas de escrita: supressão, adição, hamza, substituição, união e separação.[25] Para alguns estudiosos do Alcorão, a ortografia usmaniana é tão importante que qualquer leitura que a contradiga deve ser corrigida.[26] Pesquisadores atribuem as discrepâncias do rasm al-muṣḥaf a fatores como a escrita rudimentar da época e a influência das diferentes leituras do Alcorão.[27] Por outro lado, alguns estudiosos sunitas defendem que a ortografia é de natureza divina (tawqifi), ou seja, a forma de escrever as palavras foi ensinada pelo Profeta Muhammad (s.a.a.s.) por meio da revelação.[28]

  • Existem diferentes pontos de vista sobre se é permissível ou não alterar o rasm al-muṣḥaf:
  • Devido à sua natureza de origem divina, não é permitido escrever o Alcorão com outra ortografia.[29]
  • Mesmo que não seja de origem divina, o rasm al-muṣḥaf deve ser mantido para prevenir outras alterações no texto.[30]
  • Não é obrigatório seguir o rasm al-muṣḥaf, e o Alcorão pode ser escrito com outra ortografia.[31]
  • Para evitar erros de leitura, especialmente por pessoas que não estão familiarizadas com o rasm al-muṣḥaf, é necessário escrever o Alcorão de uma maneira que seja lida corretamente. Nasser Makarem Shirazi, o autor da obra Tafsir Nemuneh, considera essa mudança como algo necessário.[32]

A evolução da escrita do Alcorão

Durante a vida do Profeta Muhammad (s.a.a.s.), o Alcorão era escrito em um estilo de escrita do Hijaaz, semelhante ao estilo Naskh do século V.[33] Com a fundação da cidade de Kufa no ano 17 da Hégira (638 d.C.), o estilo Kufi se popularizou, e os manuscritos do Alcorão (incluindo as cópias mães escritas na época de Usman) passaram a ser escritos nesse estilo.[34] Os primeiros Alcorões careciam de pontos diacríticos e de sinais vocálicos, o que causava erros de leitura.[35]

"Um exemplar manuscrito do Alcorão, datado do primeiro século da Hégira. Na imagem, são visíveis os versículos 43 a 56 da Sura al-Nisa."

Com a orientação do Imam Ali (a.s.), Abu al-Aswad al-Du'ali (falecido em 69 da Hégira) introduziu marcações para as vogais, usando pontos em vez das marcações alongadas.[36] Ele usou um ponto acima da letra para a vogal fathah, um ponto abaixo para a kasrah e um ponto na frente para a ḍammah, usando uma cor diferente da tinta do texto.[37] Após Abu al-Aswad, seu aluno, Nasr ibn Assim (falecido em 89 da Hégira), usou pontos para diferenciar letras sem ponto, como as letras ḥaʾ, khaʾ e jim ( ح، خ و ج).[38] Para evitar confusão com os pontos das vogais, ele os escreveu na mesma cor da tinta original das letras. Posteriormente, Khalil ibn Ahmad al-Farahidi (falecido em 175 da Hégira) substituiu os pontos vocálicos de Abu al-Aswad pelas marcações que conhecemos hoje (ــَـ ــِـ ــُـ) e introduziu sinais como o tashdid (geminação) e o hamza para simplificar a leitura.[39]

No século I da Hégira, os muçulmanos se dedicaram a aprimorar a escrita do Alcorão.[40] No século IV, mais de vinte estilos de escrita haviam se desenvolvido no mundo islâmico.[41] A diversidade desses estilos criou desafios para copistas e leitores.[42] Por isso, Ibn Muqlah (falecido em 328 da Hégira) se propôs a reformar os estilos,[43] estabelecendo princípios para seis tipos de escrita usados na transcrição do Alcorão: Thuluth, Muḥaqqaq, Rayḥan, Naskh, Tawqiʿ e Ruqaʿ.[44]

A arte e a transcrição do Alcorão

A transcrição do Alcorão, além da caligrafia, manifestou-se em outras formas de arte, como a iluminação (tazhib), o design de páginas e a encadernação.[45] Os muçulmanos usavam todos os meios artísticos disponíveis para embelezar o livro sagrado.[46]

Segundo pesquisadores, a arte da transcrição do Alcorão é de grande importância, pois apresenta a palavra divina aos leitores e incorpora conceitos religiosos.[47] A arte da transcrição atingiu seu auge durante a era Ilkhani (século VII da Hégira), e os Alcorões desse período possuem imenso valor caligráfico, artístico e de pesquisa.[48]

Caligrafia

A Sura al-Fatiha, escrita em caligrafia Nasta‘liq, pelo calígrafo Mir Emad Hassani Qazvini

Ibn Muqlah (falecido em 328 da Hégira) é considerado o inventor dos estilos Thuluth, Muḥaqqaq, Rayḥan, Naskh, Tawqiʿ e Ruqaʿ.[49] Ele estabeleceu as regras para as letras com base em princípios de geometria, classificando-as em "superfície" (para letras alongadas como alif ا e bá ب) e "curva" (para letras circulares como jim ج e nun ن).[50] Após Ibn Muqlah, Ibn al-Bawwab no século V e Yaqut al-Musta'simi no século VII aperfeiçoaram o estilo Naskh, tornando-o o mais adequado para a transcrição do Alcorão.[51] O estilo Naskh se desenvolveu em diferentes escolas, sendo as mais importantes as árabes, turcas e persas.[52] A arte da caligrafia passou por grandes transformações durante a era Timúrida.[53] Nesse período, a combinação dos estilos Ruqaʿ e Tawqiʿ deu origem ao estilo Ta'liq, e a combinação dos estilos Naskh e Ta'liq deu origem ao estilo Nastaʿliq.[54] Na Índia, os muçulmanos escreviam em estilo Bihari e, na China, em Sini, uma variação do estilo Naskh.[55]

O estilo Naskh é especialmente importante para a transcrição do Alcorão devido à sua clareza.[56] Um exemplo de sua importância pode ser visto no Alcorão escrito por al-Musta'simi no ano 669 da Hégira (1271 d.C.), um manuscrito que combina os estilos Thuluth, Naskh e Rayḥān.[57] O Alcorão escrito por Ahmad Neyrizi é o mais famoso no estilo Naskh persa (iraniano).[58] O estilo Nastaʿliq é amplamente utilizado em textos literários, mas, devido à dificuldade de aplicar os sinais vocálicos, raramente é usado para a transcrição completa do Alcorão.[59] A caligrafia de Mir Emad Hassani Qazvini da Surata al-Fatiha em estilo Nastaʿliq é uma obra muito famosa.[60] Durante a era Safávida, a tradução persa do Alcorão era escrita em uma faixa estreita em estilo Nastaʿliq logo abaixo dos versículos.[61]

Iluminação (Tazhib)

A arte da iluminação (tazhib) é a decoração de páginas ou capas de livros com ouro e outras cores.[62] Ela é geralmente usada para marcar o início de suratas ou partes (juzʾ) do Alcorão.[63] Essa arte evoluiu junto com a caligrafia a ponto de os próprios calígrafos do Alcorão também se dedicarem à iluminação.[64] As mais antigas obras de pintura e iluminação do Alcorão datam do século III da Hégira e foram frequentemente encomendadas por sultões.[65] No final do século VI e início do século VII, a cidade de Tabriz era um centro importante para essa arte, dando origem à escola de iluminação de Tabriz.[66] A arte do tazhib atingiu grande popularidade durante a era Timúrida, pois os sultões dessa dinastia eram entusiastas das artes.[67]

Epigrafia Islâmica (Katibah)

Inscrição do versículo al-Nur, em caligrafia Thuluth, no mihrab, por Sayyid Muhammad Hussaini Mohaqqeq, no Santuário do Imam Rida (a.s.)

A epigrafia (katibah) é a arte de inscrever versículos e suratas do Alcorão em diferentes formas e em locais sagrados, como mihrabs, cúpulas de mesquitas, santuários e paredes de templos.[68] Essas inscrições são feitas em diversos estilos, como Kufi, Thuluth, Naskh, Nastaʿliq e Mu'alla, utilizando materiais como azulejos, tijolos ou gesso.[69] A epigrafia floresceu na era Timúrida e atingiu seu auge na era Safávida.[70]

Encadernação

A arte da encadernação foi usada pelos muçulmanos para proteger o Alcorão de danos.[71] Assim como a caligrafia, a encadernação evoluiu grandemente devido à sacralidade do Alcorão.[72] As primeiras encadernações eram simples, mas a partir do século IV da Hégira, designs geométricos em forma de círculo e oval foram adicionados ao centro das capas.[73] Posteriormente, as capas passaram a ser decoradas com ouro e iluminação.[74] A encadernação em couro com decorações teve grande importância na era Timúrida, no Irã, e na era Mameluca, no Egito.[75] A arte da encadernação atingiu seu auge na era Timúrida.[76]

A primeira impressão do Alcorão

O Alcorão foi impresso pela primeira vez na cidade de Veneza em 950 da Hégira (1543 d.C.), mas as cópias foram destruídas por ordem das autoridades da Igreja.[77] Posteriormente, em 1104 da Hégira (1692 d.C.), o estudioso alemão do Islã, Abraham Hinkelmann, imprimiu o Alcorão em Hamburgo, Alemanha.[78] A primeira impressão islâmica do Alcorão foi realizada no ano 1200 da Hégira (1785 d.C.) por um indivíduo chamado Mulla Usman em São Petersburgo, Rússia.[79]

O Irã foi o primeiro país islâmico a produzir Alcorões impressos em litografia, uma em 1243 da Hégira (1828 d.C.) em Teerã e outra em 1248 da Hégira (1832 d.C.) em Tabriz.[80] Em seguida, o Império Otomano, na Turquia, publicou várias edições do Alcorão a partir de 1294 da Hégira (1877 d.C.).[81] O Egito, em 1342 da Hégira (1923 d.C.), e o Iraque, em 1370 da Hégira (1950 d.C.), também publicaram edições de alta qualidade.[82]

Ver também

Referências

  1. Ruknī. Āshenāʾī bā ʿUlūm-i Qurʾānī. 1379 Sh, pág. 4.
  2. Jaʿfarī. Muqaddama," dar Rasm al-Mushaf. 1376 Sh, pág. 5.
  3. Ṭāhirī. Dars-hāʾī az ʿUlūm-i Qurʾānī, Vol. 1. 1377 Sh, pág. 329.
  4. Maṭlab. Taʾthīr-i Kitābat dar Payām-rasanī-yi Qurʾān, pág. 69–72.
  5. Shīrāzī wa Ṣaḥrāgard. Sayr-i Taḥawwol-i Khutūṭ-i Qurʾānī dar Jahān-i Islām, pág. 55.
  6. Ḥāj Sayyid Jawādī. Sayr-i Kitābat-i Qurʾān, pág. 22.
  7. Maʿrifat, ʿUlūm-i Qurʾānī, 1381 Sh, pág. 170.
  8. Muz̤allumī, Pazhūhishī Pīrāmūn Ākharīn Kitāb-i Ilāhī, Vol. 1, 1403 AH, pág. 38.
  9. Ṣubḥī Ṣāliḥ, Mabāḥith fī ʿUlūm al-Qurʾān, 1372 Sh, pág. 69–70.
  10. Ibn Nadīm, Al-Fihrist, 1417 AH, pág. 45.
  11. Maʿrifat, ʿUlūm-i Qurʾānī, 1381 Sh, pág. 122.
  12. Maʿrifat, ʿUlūm-i Qurʾānī, 1381 Sh, pág. 122.
  13. Maʿrifat, ʿUlūm-i Qurʾānī, 1381 Sh, pág. 125.
  14. Maʿrifat, ʿUlūm-i Qurʾānī, 1381 Sh, pág. 133.
  15. Maʿrifat, ʿUlūm-i Qurʾānī, 1381 Sh, pág. 136.
  16. Maʿrifat, ʿUlūm-i Qurʾānī, 1381 Sh, pág. 137.
  17. Maʿrifat, ʿUlūm-i Qurʾānī, 1381 Sh, pág. 138.
  18. Maʿrifat, ʿUlūm-i Qurʾānī, 1381 Sh, pág. 139.
  19. Shīrāzī wa Ṣaḥrāgard, Sayr-i Taḥawwol-i Khutūṭ-i Qurʾānī dar Jahān-i Islām, pág. 65.
  20. Shīrāzī wa Ṣaḥrāgard, Sayr-i Taḥawwol-i Khutūṭ-i Qurʾānī dar Jahān-i Islām, pág. 64.
  21. Shīrāzī wa Ṣaḥrāgard, Sayr-i Taḥawwol-i Khutūṭ-i Qurʾānī dar Jahān-i Islām, pág. 66.
  22. Sarshār, Rasm al-Muṣḥaf, pág. 793.
  23. Alcorão 2:164.
  24. Alcorão 2:125.
  25. Sarshār, Rasm al-Muṣḥaf, pág. 793.
  26. Sarshār, Rasm al-Muṣḥaf, pág. 795.
  27. Rajābī, Rasm al-Muṣḥaf; Vīzhīhā wa Dīd-gāh-hā, pág. 22–31.
  28. Maʿārif, Daramadī bar Tārīkh-i Qurʾān, 1383 Sh, pág. 187.
  29. Maʿārif, Daramadī bar Tārīkh-i Qurʾān, 1383 Sh, pág. 187.
  30. Khomeinī, Tafsīr al-Qurʾān al-Karīm, Vol. 1, 1418 AH, pág. 224.
  31. Ṣubḥī Ṣāliḥ, Mabāḥith fī ʿUlūm al-Qurʾān, 1372 Sh, pág. 278–279.
  32. Makarim Shīrāzī, Istiftāʾāt, Vol. 4, 1427 Sh, pág. 490.
  33. Ḥāj Sayyid Jawādī, Sayr-i Kitābat-i Qurʾān, pág. 23.
  34. Ḥāj Sayyid Jawādī, Sayr-i Kitābat-i Qurʾān, pág. 23.
  35. Mīr Muḥammadī Zarandī, Tārīkh va ʿUlūm-i Qurʾān, 1377 Sh, pág. 160.
  36. Mīr Muḥammadī Zarandī, Tārīkh va ʿUlūm-i Qurʾān, 1377 Sh, pág. 161-163.
  37. Rāmyār, Tārīkh-i Qurʾān, 1369 Sh, pág. 534.
  38. Mīr Muḥammadī Zarandī, Tārīkh va ʿUlūm-i Qurʾān, 1377 Sh, pág. 163-165.
  39. Mīr Muḥammadī Zarandī, Tārīkh va ʿUlūm-i Qurʾān, 1377 Sh, pág. 165.
  40. Kāẓim-i, “Sir tahawwol-i Kitābat-i Qur’ān tā sadah-yi hashtum-i hijrī (dawrah-yi Ilkhānī)”, pág. 50.
  41. Kāẓim-i, “Sir tahawwol-i Kitābat-i Qur’ān tā sadah-yi hashtum-i hijrī (dawrah-yi Ilkhānī)”, pág. 50.
  42. Kāẓim-i, “Sir tahawwol-i Kitābat-i Qur’ān tā sadah-yi hashtum-i hijrī (dawrah-yi Ilkhānī)”, pág. 50.
  43. Kāẓim-i, “Sir tahawwol-i Kitābat-i Qur’ān tā sadah-yi hashtum-i hijrī (dawrah-yi Ilkhānī)”, pág. 50.
  44. Hawājī Jawādī, “Sir-i Kitābat-i Qur’ān”, pág. 23.
  45. Kazemi, “Sir tahawwol-i Kitābat-i Qur’ān tā sadah-yi hashtum-i hijrī (dawrah-yi Ilkhānī)”, pág. 47.
  46. Kazemi, “Sir tahawwol-i Kitābat-i Qur’ān tā sadah-yi hashtum-i hijrī (dawrah-yi Ilkhānī)”, pág. 52.
  47. Kazemi, “Sir tahawwol-i Kitābat-i Qur’ān tā sadah-yi hashtum-i hijrī (dawrah-yi Ilkhānī)”, pág. 47.
  48. Kazemi, “Sir tahawwol-i Kitābat-i Qur’ān tā sadah-yi hashtum-i hijrī (dawrah-yi Ilkhānī)”, pág. 57.
  49. Grupo de autores. Nāmah-yi Dāneshvarān-i Nāserī, pág. 5, pág. 73-74.
  50. Kazemi, “Sir tahawwol-i Kitābat-i Qur’ān tā sadah-yi hashtum-i hijrī (dawrah-yi Ilkhānī)”, pág. 50.
  51. Hawājī Jawādī, “Sir-i Kitābat-i Qur’ān”, pág. 23.
  52. Hawājī Jawādī, “Sir-i Kitābat-i Qur’ān”, dar Majmū‘ah-yi Maqālāt-i Kitāb-i Māh-i Hunar, shomārah 12, Shahrīvar 1378 SH, pág. 24.
  53. ‘Abbāszādeh, wa Mandālī, “Naqsh-i Hākimān-i Tīmūrī dar tahawwol-i Khoshnevīsī-yi Islāmī”, pág. 126.
  54. Abbaszādeh wa Mandālī, “Naqsh-i Hākimān-i Tīmūrī dar tahawwol-i Khoshnevīsī-yi Islāmī”, pág. 126.
  55. Hawājī Jawādī, “Sir-i Kitābat-i Qur’ān”, pág. 23-24.
  56. Shīrāzī wa Ṣaḥrāgard, “Sir tahawwol-i Khuṭūṭ-i Qur’ānī dar jahān-i Islām”, pág. 62-63.
  57. Hawājī Jawādī, “Sir-i Kitābat-i Qur’ān”, pág. 23.
  58. Hawājī Jawādī, “Sir-i Kitābat-i Qur’ān”, pág. 24.
  59. Shīrāzī wa Ṣaḥrāgard, “Sir tahawwol-i Khuṭūṭ-i Qur’ānī dar jahān-i Islām”, pág. 64.
  60. Hawājī Jawādī, “Sir-i Kitābat-i Qur’ān”, pág. 24.
  61. Shīrāzī wa Ṣaḥrāgard, “Sir tahawwol-i Khuṭūṭ-i Qur’ānī dar jahān-i Islām”, pág. 64.
  62. Najārpūr-i Jabbārī, “Mafāhīm-i Taz’hīb-hā-yi Qur’ānī dar ‘Aṣr-i Ṣafavī”, pág. 35.
  63. Kāẓim-i, “Sir tahawwol-i Kitābat-i Qur’ān tā sadah-yi hashtum-i hijrī (dawrah-yi Ilkhānī)”, pág. 52.
  64. Barzīn, “Negāhī be Tārīkhcheh-yi Taz’hīb-i Qur’ān”, pág. 36.
  65. Barzīn, “Negāhī be Tārīkhcheh-yi Taz’hīb-i Qur’ān”, pág. 36.
  66. Barzīn, “Negāhī be Tārīkhcheh-yi Taz’hīb-i Qur’ān”, pág. 37.
  67. Shāyestehfar, “Kitābat wa Taz’hīb-i Qur’ān-hā-yi Tīmūrī dar Majmū‘ah-hā-yi Dākhil wa Khārij”, pág. 100.
  68. Mazangī wa Ismā‘īl-pūr, “Kitābat wa Katībah-negārī dar Khoshnevīsī-yi Islāmī”, pág. 12.
  69. Mazangī wa Ismā‘īl-pūr, “Kitābat wa Katībah-negārī dar Khoshnevīsī-yi Islāmī”, pág. 14.
  70. Ḥussanī wa Ṭāwosī, “Tahawwol-i Hunar-i Katībah-negārī ‘Aṣr-i Ṣafavī bā tavajjuh be Katībah-hā-yi Ṣafavī-yi Majmū‘ah-yi Ḥaram-i Muṭahhar-i Imām Riḍā (a.s.)”, pág. 60.
  71. Ṭāleb-pūr wa Yazdānī, “Mutālahah-yi Tatbīqī-yi Juludh-yi Charmī-yi Qur’ān-i Karīm dar Dawrah-yi Tīmūrī bā Juludh-yi Charmī-yi Qur’ān-i Karīm dar Dawrah-yi Mamlūkī-yi Miṣr”, pág. 5.
  72. Hāshemī, “Hunar-i Juldsāzī”, pág. 313.
  73. ‘Atīqī, “Juldsāzī-yi Qur’ān dar Īrān”, pág. 92.
  74. ‘Atīqī, “Juldsāzī-yi Qur’ān dar Īrān”, pág. 92.
  75. Ṭāleb-pūr wa Yazdānī, “Mutālahah-yi Tatbīqī-yi Juludh-yi Charmī-yi Qur’ān-i Karīm dar Dawrah-yi Tīmūrī bā Juludh-yi Charmī-yi Qur’ān-i Karīm dar Dawrah-yi Mamlūkī-yi Miṣr”, pág. 12.
  76. ‘Atīqī, “Juldsāzī-yi Qur’ān dar Īrān”, pág. 92.
  77. Ma‘rifat, Al-Tamhīd, 1415 AH, vol. 1, pág. 405.
  78. Ma‘rifat, Al-Tamhīd, 1415 AH, vol. 1, pág. 405.
  79. Ma‘rifat, Al-Tamhīd, 1415 AH, vol. 1, pág. 405.
  80. Ma‘rifat, Al-Tamhīd, 1415 AH, vol. 1, pág. 406.
  81. Ma‘rifat, Al-Tamhīd, 1415 AH, vol. 1, pág. 406.
  82. Ma‘rifat, Al-Tamhīd, 1415 AH, vol. 1, pág. 406.

Bibliografia

  • Qurʾān al-Karīm
  • Ibn Nadīm, Muḥammad b. Isḥāq. Al-Fihrist. Beirute: Dār al-Maʿrifa, 1417 AH.
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