Rascunho:Al-Barāʾah min al-Mushrikīn (Ritual)
Repúdio aos Politeístas (Ritual) (Al-Barāʾah min al-Mushrikīn) (em árabe: البراءة من المشرکین فی الحج) é uma cerimônia realizada por peregrinos iranianos durante os rituais do Hajj, na qual proclamam repúdio aos politeístas e às políticas consideradas arrogantes, entoando slogans como “Morte à América” e “Morte a Israel”, além de conclamar à unidade dos muçulmanos.
A prática da dissociação dos politeístas possui fundamento corânico e base jurídica. Sua primeira manifestação ocorreu após a Conquista de Meca, quando, por ordem do Profeta Muاammad (s.a.a.s.), Imam Ali (a.s.) recitou publicamente os Versículos da Barāʾah em Meca. No contexto contemporâneo, a cerimônia foi realizada pela primeira vez no ano de 1358 do calendário solar iraniano (1979), por iniciativa de Imam Khomeini. O governo saudita manifestou oposição ao evento e, em 1366 (1987), forças de segurança atacaram os participantes, ocasionando a morte e o ferimento de numerosos peregrinos iranianos.
Importância e origem
A cerimônia da Barāʾah min al-Mushrikīn é considerada uma tradição religioso-política realizada anualmente durante o Hajj.[1] Os líderes da República Islâmica do Irã têm reiteradamente enfatizado sua realização, a fim de preservar a dimensão política da peregrinação.[2]
O objetivo declarado da cerimônia é anunciar a dissociação das políticas consideradas arrogantes por parte dos descrentes e politeístas, bem como promover a unidade dos muçulmanos diante deles.[3] O tema da rejeição aos politeístas é mencionado em diversos versículos do Alcorão, incluindo o versículo 4 da sura al-Mumtaḥanah, os versículos 1 a 3 da sura al-Tawbah e o versículo 19 da sura al-Anʿām.[4][5]

A primeira proclamação formal da dissociação dos politeístas ocorreu após a Conquista de Meca.[6] Com a revelação dos versículos iniciais da sura al-Tawbah (também chamada sura Barāʾah), Deus incumbiu o Profeta Muhammad (s.a.a.s.) de anunciar oficialmente essa dissociação. Imam Alī (a.s.) foi encarregado de transmitir esses versículos durante a peregrinação do nono ano da Hégira.[7] Quanto à razão da revelação desses versículos, relata-se que os politeístas violaram o pacto estabelecido no Tratado de Ḥudaybiyyah, segundo o qual deveriam deixar Meca livre por três dias para a peregrinação dos muçulmanos.[8][9] Alguns exegetas mencionam repetidas violações do tratado por parte dos politeístas.[10]
Para mais informações, veja também: Proclamação dos versículos da desobrigação
Forma de realização
Entre os anos de 1358 e 1366 do calendário solar iraniano (1979–1987), peregrinos iranianos e, por vezes, não iranianos, reuniam-se em um local determinado em Meca antes do início dos rituais do Hajj. Após discursos sobre a situação do mundo islâmico e os acontecimentos contemporâneos, realizavam uma marcha coletiva.[11]
A partir da década de 1380 do calendário solar iraniano (anos 2000), a cerimônia passou a ocorrer na manhã do Dia de Arafah, no local da missão do Líder da República Islâmica do Irã, na planície de Arafat.[12] Após a recitação de versículos do Alcorão, são entoados slogans como “Morte a Israel”, “Morte à América”, “Ó muçulmanos, uni-vos!”, e “A divisão e a discórdia são obra de Satanás”.[13] Em seguida, o responsável pela delegação iraniana lê a mensagem do Líder da República Islâmica em persa e árabe. Ao final, uma resolução é proclamada e confirmada pelos peregrinos com a recitação do takbir após cada cláusula.[14]
Fundamentos jurídicos
Relata-se que a rejeição ao politeísmo e a dissociação dos politeístas estão presentes em diferentes rituais do Hajj. O ramy al-jamarāt (lapidação simbólica das colunas) e a talbiyah são considerados exemplos marcantes dessa rejeição ao shirk.[15] Imam Khomeini, ao explicar o conceito de Barāʾah min al-Mushrikīn, afirmou que essa prática pode assumir diversas formas conforme as circunstâncias históricas. Segundo ele, o melhor momento e local para sua realização são os dias do Hajj e o recinto sagrado, devido ao maior impacto simbólico e político.[16] Em sua fundamentação, ele invocou os princípios de tawallī (lealdade aos aliados de Deus) e tabarrī (dissociação dos inimigos de Deus).[17]
Alguns estudiosos sunitas criticaram a cerimônia com base na proibição de disputas durante o Hajj. Em contrapartida, juristas xiitas sustentam que a natureza geral da cerimônia não constitui “jidāl” (contenda proibida), pois não visa provocar conflito entre muçulmanos.[18]
Histórico contemporâneo
Relata-se que essa tradição não era praticada durante o Hajj antes da Revolução Islâmica do Irã.[19] Imam Khomeini é frequentemente mencionado como o responsável por sua revitalização no contexto da peregrinação após 1979.[20] Por essa razão, é considerado o instituidor do “Dia da Barāʾah dos Politeístas”.[21]
Hajj Sangrento
O governo saudita, em diferentes períodos, manifestou oposição à realização dessa cerimônia.[22] Em 1366 (1987), quando os peregrinos deixavam o local da Barāʾah em direção à Mesquita Sagrada, foram atacados por forças policiais e de segurança sauditas. O incidente resultou na morte de mais de 500 peregrinos e deixou cerca de 700 feridos.[23] Após esse episódio, a cerimônia foi suspensa entre 1366 e 1369 (1987–1990). Desde 1370 (1991), passou a ser realizada em Mina e Arafat.[24]