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Honra aos órfãos

Fonte: wikishia

Honra aos órfãos refere-se ao apoio financeiro e emocional dado a crianças que perderam seus pais. O Islã enfatiza fortemente essa prática, tanto no Alcorão quanto nos hadiths, promovendo a proteção e o bem-estar dos órfãos.

O Alcorão ordena o respeito e o bom tratamento aos órfãos, destacando várias formas de cuidado, incluindo:

Honrar e respeitar os órfãos (al-Fajr: 17)

Alimentar os órfãos (al-Insan: 8)

Ser bondoso e generoso com eles (al-Baqara: 220)

Garantir seus direitos e evitar injustiças contra eles (al-Nisa: 10)

O Profeta Muhammad (s.a.a.s) disse:

"Aquele que cuidar de um órfão até que ele se torne independente, o Paraíso lhe será garantido."

Na tradição islâmica, Ahl al-Bait (a.s.) sempre demonstrou grande compaixão pelos órfãos. O Imam Ali ibn Abi Talib (a.s.) era conhecido por seu amor e dedicação às crianças órfãs, referindo-se a si mesmo como "o pai dos órfãos".

Historicamente, os muçulmanos estabeleceram orfanatos conhecidos como Maktab al-Aitam para abrigar e educar crianças sem pais. Essa prática continuou ao longo dos séculos, refletindo o compromisso islâmico com o bem-estar social.

A importância do apoia aos órfãos no Islã

Os sábios islâmicos enfatizam que o Islã ordena o respeito e a proteção dos órfãos, tornando a sociedade responsável pelo seu bem-estar. De acordo com os ensinamentos islâmicos:

O Islã ordena o respeito e a proteção dos órfãos – Os muçulmanos são incentivados a oferecer abrigo e assistência às crianças órfãs.[1]

A responsabilidade social sobre os órfãos – A comunidade deve garantir que os órfãos não sofram prejuízos ou injustiças.[2]

O cuidado com órfãos como uma obrigação dos crentes – O Islã incentiva os fiéis a se dedicarem ao amparo dos órfãos para que eles não fiquem desamparados.[3]

Segundo alguns teólogos e pregadores xiita, o cuidado com órfãos está entre os maiores atos de adoração. Isso se deve ao fato de que essa prática reflete misericórdia, justiça e compaixão, valores essenciais do Islã. Além disso, os Ahl al-Bait (a.s.) sempre reforçaram a importância de proteger os órfãos, e o Imam Ali (a.s.) foi um exemplo notável desse princípio, chegando a se referir a si mesmo como "o pai dos órfãos".[4]

Assim, segundo os sábios islâmicos, cuidar de órfãos não é apenas uma ação louvável, mas uma verdadeira obrigação religiosa e social, trazendo bênçãos e recompensas tanto nesta vida quanto na eternidade.

Quem é um órfão

Artigo principal: Órfão

No termo jurídico islâmico (fiqh), um órfão (yatim) é uma criança que perdeu o pai antes da puberdade.[5] Isso porque, segundo o Islã, o pai é o principal responsável pelo sustento e proteção da criança.

No Alcorão e nos hadiths, a palavra "yatim" também pode ser usada em um sentido mais amplo e linguístico, referindo-se a qualquer criança que tenha perdido um dos pais, seja o pai ou a mãe.[6]

No sentido jurídico (fiqh) → Quem perdeu o pai antes da puberdade.

No sentido linguístico (Alcorão e hadiths) → Quem perdeu um dos pais. A Recomendação do Alcorão para Honrar os Órfãos

O Alcorão valoriza os órfãos e ordena aos muçulmanos que respeitem seus direitos, mostrando bondade e generosidade para com eles.[1] Várias passagens sagradas destacam a importância desse cuidado:

"Mas não! Vós não honrais os órfãos." (Sura al-Fajr, 89:17)

Allah repreende aqueles que negligenciam os órfãos, enfatizando que o verdadeiro crente deve tratá-los com respeito e dignidade.[2]

"E eles oferecem comida, por amor a Allah, ao necessitado, ao órfão e ao cativo." (Sura al-Insan, 76:8)

"Ou alimentar um necessitado em dia de fome, um órfão próximo..." (Sura al-Balad, 90:14-15)

Essas passagens mostram que alimentar um órfão é um ato de grande valor diante de Allah.

"E quando tomamos de Israel o compromisso de que não adorariam senão a Allah e fariam o bem aos pais, aos parentes, aos órfãos e aos necessitados..." (Sura al-Baqara, 2:83)

"Adorai a Allah e não Lhe associeis nada. E sede benevolentes para com os pais, os parentes, os órfãos e os necessitados..." (Sura al-Nisa, 4:36)

A bondade com os órfãos está ligada à adoração sincera a Allah.

"Eles te perguntam o que devem gastar em caridade. Diz: o bem que gastardes,[9] que seja para os pais, os parentes, os órfãos, os necessitados e os viajantes..." (Sura al-Baqara, 2:215)

O Islã ensina que a caridade aos órfãos deve ser uma prioridade na vida dos muçulmanos.[10]

O Alcorão destaca a importância de respeitar os órfãos e proteger seus direitos, alertando sobre as consequências de maltratá-los ou explorar seus bens.

"Viste aquele que nega a Recompensa? Esse é aquele que repele o órfão..." (Sura al-Ma'un, 107:1-2)

Aqui, Allah descreve os descrentes como aqueles que maltratam os órfãos e não se preocupam com seu bem-estar.[11]

"Portanto, quanto ao órfão, não o oprimas." (Sura al-Duha, 93:9)

Allah ordena que os órfãos sejam tratados com dignidade e respeito.[12]

"Em verdade, aqueles que devoram injustamente os bens dos órfãos, devoram fogo em seus ventres e arderão no fogo abrasador." (Sura al-Nisa, 4:10) [13]

Tomar injustamente a riqueza de um órfão é um pecado gravíssimo, que leva a um severo castigo no Dia do Juízo.[14]

O Islã ensina que quem cuida dos bens de um órfão deve administrá-los da melhor forma possível, para que gerem benefícios e, ao atingir a maioridade, o órfão receba o que lhe pertence.[15]

"Não! Mas vós não honrais o órfão." (Sura al-Fajr, 89:17)

Segundo os estudiosos, essa passagem indica que a desonra e a negligência com os órfãos podem levar à humilhação no Dia do Juízo.

Aquele que honra e protege os órfãos, será honrado por Allah.[17] De acordo com Ja'far Sobhani um dos marajás (autoridades religiosas), o Alcorão se esforçou muito para chamar a atenção da sociedade para os órfãos; até recomenda que, ao dividir a herança de um falecido, mesmo os órfãos que não são herdeiros diretos devem receber uma parte como sinal de compaixão e solidariedade.[18]

O Tratamento dos órfãos na tradição dos Ahl al-Bait (a.s.)

O amor e a atenção aos órfãos são aspectos fundamentais na tradição islâmica,[19] sendo parte da Sunnah do Profeta Muhammad (s.a.a.s.) e da conduta dos Ahl al-Bait (a.s.). O Islã enfatiza que cuidar dos órfãos não é apenas um ato de bondade, mas uma responsabilidade moral e religiosa.

O Profeta Muhammad (s.a.a.s.) disse:

"Quem cuidar de um órfão até que ele se torne independente, o Paraíso se tornará obrigatório para ele." (Ibn Majah)

Esse hadith mostra que ajudar um órfão a alcançar a autossuficiência é um dos atos mais recompensadores no Islã.[19]

Em outro hadith, o Profeta (s.a.a.s.) declarou:

"Eu e aquele que cuida de um órfão estaremos juntos no Paraíso como estes dois",[21] e ele juntou o dedo indicador e o médio. (Bukhari)

Esse hadith enfatiza a proximidade que um benfeitor de órfãos terá com o Profeta (s.a.a.s.) no Paraíso.

Imam Ali (a.s.) dizia sobre si mesmo:

"Eu sou o pai dos órfãos."[22]

Ele cuidava pessoalmente dos órfãos, garantindo-lhes alimento, roupas e educação. Muitas histórias mostram que ele se disfarçava à noite para distribuir comida aos necessitados, incluindo órfãos, sem revelar sua identidade.

No seu testamento, Imam Ali (a.s.) ordenou:

"Cuidem dos órfãos! Não permitam que fiquem com fome ou em necessidade. Não os deixem sofrer diante de vocês."[23]

Isso mostra que, para Imam Ali (a.s.), o cuidado com os órfãos era tão essencial quanto a oração e a leitura do Alcorão.

Abrigo para Órfãos

As várias orientações sobre os órfãos nos textos religiosos levaram os muçulmanos ao longo da história a dar uma atenção especial aos órfãos. Nas sociedades islâmicas, as escolas ou instituições de órfãos (Maktabe al-Yatim) foram as mais importantes e amplamente responsáveis pelo ensino das crianças órfãs no mundo islâmico. Os abrigos para órfãos, ou "Dar al-Yatim" (orfanato), foram estabelecidos nos países islâmicos no final do século XVII e, em seguida, no século XIV, tiveram um crescimento rápido e notável.[24] também foram construídas escolas para órfãos em algumas cidades, entre as quais a escola de órfãos de Mashhad, situada ao lado do Santuário de Imam Rida (a.s.), com muitas doações, que funcionou até o final da era Qajar.[25]